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Clayton Rocha - Trajetória

    José Rodrigues Gomes Neto

    Teatro Sete de Abril

    Com o meu confessado saudosismo, ao falar sobre a terra dos meus sonhos realizados, vem à minha cabeça espetáculos maravilhosos a que assisti no Sete de Abril.

    Publicado 03/08

    Como falar sobre as cousas de Pelotas, o que faço às vezes, sem mencionar o Teatro Sete de Abril?

    Um dos mais antigos do Brasil, já centenário, propriedade do município, passou por algumas reformas ao longo dos anos mas nunca perdeu os ares arquitetônicos que inspiraram sua construção.

    Por não estar ativo, eis que necessita reformas estruturais de monta, não sei se perdeu a condição de que desfrutava de ser o teatro que mais tempo funcionou no Brasil.

    Por um largo período também era usado como cinema e disputava com o Capitólio a preferência dos jovens na matinê das duas, aos domingos, sem falar nos seriados de terças à noite.

    Embora esse tipo de filme nunca tivessem feito meu gênero, lembro de ter acompanhado toda a série do Flash Gordon.

    Muitas cousas que aconteceram no futuro daqueles tempos, tais como ir à lua, foguetes espaciais, energia atômica, parece que nasceram por inspiração cinematográfica.

    Com o meu confessado saudosismo, ao falar sobre a terra dos meus sonhos realizados, vem à minha cabeça espetáculos maravilhosos a que assisti no Sete de Abril.

    O saguão está cheio de placas comemorativas da passagens de grandes astros do teatro e da música.

    Mas eu vou focar dois momentos que considero especiais: a companhia teatral Tônia – Autran – Celi e a de Procópio Ferreira.

    A primeira, em julho de 1957, entre outras, trouxe a clássica peça de Shakespeare, Otelo. Nunca esqueci que o ator que fazia Iago, não acompanhava a companhia e vinha, do Rio de Janeiro,  somente no dia em que a tragédia seria encenada para representar seu papel, aliás, ele fazia o mesmo nas outras cidades por onde a companhia esteve.

    Alguns dias após a representação de Otelo, eu e meu saudoso amigo Antônio Gomes da silva, encontramos Tônia Carrero no Tabaris, um famoso e luxuoso cabaré de Buenos Aires.

    Ela, por sua beleza rara, com a pele branca e vestida de preto, chamou a atenção dos freqüentadores e recebeu, quando anunciada, uma ovação.
    Compartilhamos, a convite dela, acompanhada de seu marido Celi e de outros componentes da companhia, que descansavam na capital argentina, do mesmo camarote.

    Em conversa perguntei-lhe porque Iago tinha de ser feito por aquele ator, já que deslocar-se do Rio para cada cidade gaúcha, onde seria levada a peça, naquela época, era muito incômodo.

    Ela respondeu que nenhum outro artista, no Brasil, teria condições de interpretar um dos papéis mais difíceis de teatro, no mundo.

    A segunda companhia, a de Procópio Ferreira, passou por aqui várias vezes.

    Algumas com elenco numeroso, inclusive trazendo sua filha Bibi Ferreira, que ainda hoje encanta o Brasil com sua arte e, outras, veio só e representava o monólogo Deus Lhe Pague, de Juracy Camargo, quando ele brilhava intensamente e mostrava o grande artista que era.

    A plateia, tanto para uma das companhias como para a outra, ficava extasiada e aplaudia freneticamente a beleza das representações.

    Vem-me também à lembrança a época em que se realizavam os festivais de teatro de Pelotas no Sete de Abril, que movimentava a cidade. Deles, guardo as atuações magistrais de Angenor Porto Gomes, que, com nível profissional, marcou esse período da cultura pelotense.

    Claro, o Sete de Abril, até bem pouco tempo, ofereceu belos espetáculos, principalmente com atores globais, assim chamados por serem das novelas da Globo.

    Não estou pretendendo estabelecer comparações, apenas fui buscar velhas recordações para aplacar meu saudosismo, palavra que uso como algo de muita expressão e que nada tem nem de piegas nem de retrógada.

    Mas, não terminei ainda: quero dizer mais um pouco: o Teatro Sete de Abril de Pelotas é um patrimônio cultural, artístico, arquitetônico dos mais valiosos, inclusive,  arrisco-me a dizer, do Brasil.

    Não se encontram, por aí, outros exemplos tão expressivos da arte brasileira.

    E o Teatro Sete de Abril está doente, precisa ser curado e, para isso, torna-se necessário um grande esforço da comunidade, que é, na verdade, a dona do teatro.

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    Fonte: José Gomes Neto

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    Comentários (2)

    feito em 17/10/2012 13:46:06

    Professor, o senhor, com o devivo pesar, sabe muito mais do que eu: Educação e Cultura não são e nunca foram prioridades tupiniquins!
    Seu texto esta inspirado com a justissima homenagem e deferencia ao 7.
    Alexandre Bório

    feito em 09/02/2012 10:58:31

    Cumprimentos pelo inspirado texto! O Teatro bem merece a energia da tua palavra. De outra parte é recomendável aos que, exercendo o poder, pelo menos se interessem pelas instruções recebidas através de teu texto rico em episódios memoráveis. E, se soubessem, tenho certeza que suspenderiam até mesmo suas férias em Punta del Esta para trabalhar - com garra e obstinação - pelo próprio Teatro, e pelos 200 anos da cidade. Clayton Rocha.

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