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    Opiniões

    SOS Arroio Pelotas

    As margens estão tomadas por edificações de luxo, marinas e extensões de clubes. O abuso e a falta de observação à legislação ambiental brasileira passaram de qualquer limite aceitável.

    Publicado 22/01

    Venho por este denunciar o descaso com o meio ambiente, praticado pelo executivo municipal de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. Seja por descuido, falta de atenção ou pura negligência, a expansão urbana está suprimindo a paisagem e as áreas naturais de entorno do arroio Pelotas. As margens estão tomadas por edificações de luxo, marinas e extensões de clubes. O abuso e a falta de observação à legislação ambiental brasileira passaram de qualquer limite aceitável. Além disso, o arroio Pelotas é patrimônio cultural e algo precisa ser feito, a bem da comunidade, dos recursos naturais, da vida e da biodiversidade.

    O Arroio Pelotas pede Socorro!

    A forma mais comum de agressão à natureza é a fragmentação da paisagem, que está presente em todos os lugares ocupados pelo homem. A transformação do espaço em uma cobertura de retalhos, formada por elementos naturais de habitats remanescentes e manchas de usos diversos, repercute em mudanças, que quase sempre afetam a dinâmica, os fluxos e a permanência das espécies. A conversão da natureza recria padrões de heterogeneidade espacial, formando mosaicos de paisagem que variam do natural ao completamente transformado pelo homem. A paisagem é o nível ecossistêmico de maior tangibilidade, composta por unidades espaciais interativas, que formam sua estrutura e determinam o seu funcionamento. A paisagem muda e suas mudanças reforçam o relacionamento homem-natureza que, quando observado sob diferentes escalas, permite interpretar o efeito ecológico do padrão de distribuição dos ecossistemas.

    A fragmentação da paisagem está entre as maiores ameaças a biodiversidade. O avanço da agricultura e a expansão desordenada das grandes cidades têm contribuído para a pulverização dos habitats, que reduzidos a porções, cada vez, menores, tornam-se isolados, expostos e vulneráveis às agressões da matriz antrópica dominante. O planejamento do espaço, com vistas ao ajuste dos usos e restauração de paisagens naturais compartimentadas, está entre as principais estratégias de conservação da biodiversidade. No entanto, estratégias conservacionistas válidas devem incluir tanto o manejo e monitoramento de áreas legalmente protegidas, quanto à recuperação e a criação de novos sistemas de conexão entre os elementos naturais da paisagem.

    No arroio Pelotas, pressões sobre a estrutura natural da paisagem, podem ser verificadas ao longo de toda bacia, que compreende uma área aproximada de 898 km², entre os municípios de Canguçu, Arroio do Padre, Morro Redondo, Capão do Leão e Pelotas, que detém a maior parcela da bacia.

    O arroio Pelotas nasce no município de Canguçu e deságua no canal São Gonçalo, em Pelotas. Ao longo do curso, da nascente à foz, pequenas e médias propriedades rurais geram um cenário de uso e ocupação pobre em cobertura ciliar, que além de reduzida, também se mostra enfraquecida e desconectada. No entanto, nada é tão ruim e agressivo quanto ao que se vê próximo ao limite urbano da cidade de Pelotas.

    A pressão urbana sobre o ambiente de margem merece destaque. A destruição do arroio não é recente, tampouco foi iniciada neste Governo, mas algo precisa ser feito, e rápido. Basta uma pequena volta para visualizar edificações suntuosas sobre áreas de preservação permanente; algumas construções são antigas, edificadas há mais tempo, outras são bem recentes, inclusive em obras; porém todas estão ali, em prejuízo do patrimônio ambiental e cultural do Estado, por que alguém autorizou ou não viu. E a atual administração do município parece nada ver, nada saber e nada fazer.

    Dos prejuízos impostos à margem do arroio Pelotas os mais evidentes estão relacionados com a descobertura ciliar e perda de áreas úmidas. O entorno do arroio Pelotas compreende uma paisagem natural, composta de florestas, campos e banhados, que formam no baixo curso, um belo mosaico de ecossistemas, bastante rico em biodiversidade. No entanto, esta é a porção do arroio mais pressionada e que mais sente o avanço da urbanização.

    A substituição dos ambientes da margem, por infra-instrutoras urbanas, reflete na integridade ecológica, nas relações ecossistêmicas e na permanência dos elementos nativos da flora e da fauna que, em algum momento, não são capazes de resistir ao processo de pulverização dos habitats. E por mais notória que pareça, a falta de percepção ambiental, por parte daqueles que empreendem ou empreenderam, no ambiente de margem, é muito mais gritante a falta de ação por parte da administração pública municipal, que nada está fazendo para frear o estabelecimento de novos empreendimentos. Aliás, quem empreende em ambiente de margem comete um crime ambiental grave. E quem permite, faz vista grossa ou não impede o avanço criminoso de novas infra-estruturas urbanas, sobre áreas naturais preservadas pela Lei, está endossando o crime e o praticando, também.

    Em resumo, está faltando um olhar mais atento, por parte da sociedade de Pelotas e da região, quanto a importância dos recursos que nos cercam. A Prefeitura de Pelotas precisa conter a ocupação das margens e iniciar um programa municipal de educação ambiental inovador, com vistas ao reconhecimento do que está errado, orientando os desavisados da Lei e recuperando as margens degradadas, removendo, quando necessário, o que foi construído sobre o espaço público natural. 

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    Fonte: Prof. Dr. Marcelo Dutra da Silva Ecólogo – Doutor em Ciências Universidade Federal do Rio Grande

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    Comentários (2)

    feito em 30/06/2016 17:42:07

    A SQA tem um histórico triste de descaso com a proteção ambiental. Por outro lado, é impossível que secretários municipais, vereadores e prefeitos desconheçam as construções, ocupações, apropriações, etc , que ocorrem às vistas de qualquer pessoa.
    O problema é que a trama de interesses pessoais, corporativos, financeiros e políticos existente em Pelotas impede que germine e cresça qualquer ação não comprometida com as "forças vivas" locais.

    feito em 16/04/2016 11:21:25

    Agora é aguardar a reunião proposta pelo Prefeito Eduardo Leite entre Marcelo Dutra, Neiff Satte Alam e equipe da SQA. O propósito desta reunião é encontrar uma solução para esta desestabilização ambiental/social/econômica/cultural que há muito vem ocorrendo às margens do Arroio (rio) Pelotas. Esperamos deste governo o que outros não fizeram...

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