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Clayton Rocha - Trajetória

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    Ser ou não Ser Charlie

    O ato terrorista abominável nada tem a ver com o Islã; é obra de radicais dementes.

    Publicado 12/01

    O mundo estarreceu com a barbárie terrorista que culminou com o covarde assassinato de célebres cartunistas do hebdomadário Charlie, entre outros. A mídia internacional empolgou-se emocionada e difundiu seu pesar, motivando a que milhões de pessoas  prestassem solidariedade comovida aos que tombaram, criando a consigna: Je suis Charlie.

    Líderes Mundiais e populações prestaram a suas homenagens, em manifestações, em todos os cantos do planeta.

    O gravíssimo ato terrorista suscita reflexões e traz à baila o complexo dilema dos limites da liberdade de imprensa, arte  e de opinião, que assombra a compreensão das pessoas.

    Fala-se em forte ataque à democracia, já que o hebdomadário, através de charges criativas e ilustrativa, expandia seu humor cáustico, em críticas pictóricas, atingindo crenças religiosas, figuras sagradas, autoridades religiosas, políticos etc... As repetidas e publicadas charges desabonatórias ao profeta Maomé teriam sido as causas objetivas motivadoras dos atos homicidas e bárbaros.

    A emotividade generalizada e fundamentada,parece erigir em absoluto o direito dos cartunista do Charlie Hebdo, assassinados, de terem expressado, mesmo de forma desmedida de humor pesado, seja lá o que for, desconsiderado se atentatório a seculares sentimentos religiosos.

    Numa democracia, mesmo formal,como a maioria delas,e nas mais efetivas (poucas) não há o conceito de absoluto. Não há direitos absolutos, mas sim os direitos de convivência que se limitam, sob o comando da lei; não há verdades absolutas, mas relativizações em respeito às individualidades; não há, se quer, verdades absolutas nas ciências. Direitos absolutos, verdades absolutas são características de regimes ditatoriais, tirânicos e cruéis.

    Gofredo Telles Junior, renomado humanista e jurista ensinava que todas as disciplinas de um curso jurídico se resumem a uma só: a disciplina da convivência humana.

    A almejada harmonia na convivência humana, cerne da democracia, por certo não compagina com o absolutismo que se quer dar à liberdade de imprensa e opinião, mesmo que esta venha ancorada em humor. A revista Charlie Hebdo tem cometido notórios excessos...

    A historicidade do humor, da sátira na cultura ocidental é riquíssima. Salienta-se no século XVIII o anglo-irlandês  Jonathan Swift  (1667-1745), notável satírico humorista ( As Viagens de Gulliver); Laurende Sterne ( 1713-1768) – A  Vida e opiniões do Cavalheiro Shandy, notável satírico  inglês,que influenciou o delicioso humor de Machado de Assis; No século XX: George Bernard Shaw ( 1856-1950) e suas peças satíricas, sem falar nos franceses.

    Entre nós, os notáveis chargistas do Império e, contemporaneamente, figuras como o Amigo da Onça, o barão de Itararé, e, na atualidade, o brilho de humoristas chargistas como Enfil, Millor, Ziraldo, Chico Caruso e tanto outros.

    O humor e a sátira ensina, esclarece, vide Fernando Veríssimo...

    Perpassando nossos chargistas/humoristas do cotidiano, dos mais conhecidos aos menos, não se percebe forte agressão a sentimentos religiosos ou à lideranças religiosas ou políticas.

    O homem comum brasileiro sorri ao contemplá-los, não se constrange ou espanta. Foram heróicos nossos chargistas e cartunistas, na luta pela liberdade, nos anos duros que sucederam o golpe militar de 1964.

    O que dizer do Charlie Hebdo, só para mencionar, quando publicou a foto facial da Ministra da Educação da França, afro descendente, no corpo de um macaco?

    O ato terrorista abominável nada tem a ver com o Islã; é obra de radicais dementes.

    O Corão, comando ético da crença maometana, é repertório de paz, com mensagem universal de amor, solidariedade e harmonia. O mundo Islâmico merece todo o nosso respeito.

    O Ocidente muito aprendeu com o universo islâmico, desde a medicina, a filosofia, a poesia, a arte, a ciência. Urge que entendamos melhor o Islã.

    Pensando nisso tudo: não creio que eu seja Charlie, embora solidário com a dor dos franceses e com todas as pessoas de boa vontade, que se manifestam contra o terrorismo e lutam por um mundo em Paz.

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    Fonte: Francisco de Paula Bermúdez Guedes

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