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    Saudades de Portugal

    Meu avô – José Rodrigues Gomes - veio de lá, com quatorze anos de idade, em 1877, a bordo de um navio, prestando serviços em troca da passagem.

    Publicado 03/09

    Estive poucas vezes lá e não é desses dias que sinto falta.

    Meu avô – José Rodrigues Gomes - veio de lá, com quatorze anos de idade, em 1877, a bordo de um navio, prestando serviços em troca da passagem.

    Aqui, como era comum naquela época, ele foi recebido por uma família que já viera de lá, antes.

    Não fez nenhuma escala, o que muitos faziam. Veio direto à Pelotas.

    Logo começou a trabalhar em atividades modestas e morava em um quarto que lhe fora destinado pelos seus anfitriões.

    Trabalhava, trabalhava intensamente, com o objetivo de capitalizar-se, guardando cada moeda que ganhasse, pensando em abrir seu próprio negócio.

    Casou jovem, muito jovem, com Anna Bandeira da Nova.

    Nesses dias, ele começara a trabalhar em uma fábrica  de beneficiamento de fumo Não demorou muito, assumiu o cargo de gerente  e, pouco tempo depois,com o falecimento do dono, comprou o estabelecimento. Para isso, teve de recorrer a empréstimos, o que obteve com alguns compatriotas, a quem já se ligara por laços de amizade e que confiavam em sua honestidade e competência.

    Isso deveria ser lá por 1900, quando já lhe nascera o primeiro dos onze filhos que teve.

    Deu à sua prole, e à sua mulher, uma vida confortável, chegando mesmo a amealhar um patrimônio considerável.

    Viveu até aos 82 anos de idade, apenas seis meses após ter perdido sua companheira de toda a vida. Não me move, aqui, a intenção de traçar a bio grafia do meu avô, que, praticamente um menino, deixou a Povoa do Varzin, seus pais, e tudo o mais que lhe cercava, e veio para a América, fazer a América.

    Hoje pensei nele porque vi uma foto sua feita em louça e ali ele aparece com “plastron” e com uma fisionomia forte,  que demonstra ser um homem decidido.

    Fiquei comovido, primeiro porque eu tinha apenas dez anos quando ele faleceu e não tive a oportunidade de trocar idéias com um homem, que depois, pela voz dos amigos dele e pelos testemunhos da família, pareceu-me farto em qualidades.

    Dei-me conta, então, que, ele e tantos outros portugueses que vieram para cá, fizeram de Pelotas uma grande cidade e que hoje desfrutamos deste legado graças ao espírito empreendedor desses desbravadores corajosos.

    Por que dei a esta crônica o título Saudades de Portugal?

    Porque, olhando para sua foto, sinceramente emocionado, fiquei pensando quantas saudades lhe acompanharam pela vida, pois ele nunca mais voltou lá.

    Então, pela minha condição, a de neto, que tem o seu nome, senti as saudades que eram dele.

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

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    Comentários (8)

    feito em 25/08/2018 14:53:54

    Procuro por José Rodrigues Gomes pai de Genésio Rodrigues Gomes pai de José Rodrigues Gomes Neto

    feito em 21/06/2015 13:26:07

    José Rodrigues Gomes Neto,
    Você é o Zé Gordo da minha juventude? Companheiro do Pelotense e do Centro?
    Meu nome é Luiz Carlos Marques Pinheiro, sou de Pelotas, tenho 75 anos (em 2015) e moro em São Paulo desde os 20 anos.
    Leio suas crônicas com assiduidade e me regozijo quando vejo o seu amor por Pelotas. Também tenho escrito algumas coisas sobre Pelotas, sobre temas que não têm registro na Internet, para que fique o registro.
    Aceite um abraço.

    feito em 15/04/2015 15:36:13

    Caro Zé G... é uma satisfação achar um parente tão próximo, não sei se lembras de mim, sou Eduardo Gomes Leitão, filho da Gladys Gomes Leitão, neto de Alfredo da Nova Gomes, bisneto de José Rodrigues Gomes e de Anna Bandeira da Nova. Sou Engenheiro Civil e trabalho com rodovias, nossa empresa é Curitiba, onde moro a 40 anos, atualmente, estamos trabalhando em um projeto de duplicação na BR-290, Pantano Grande. Semana passada estive no registro de imóveis de Rio Pardo RS, por coincidência parei ao lado da Igreja de São Francisco, como estava aberta, entrei e parei ao lado da porta, admirando e fotografando aquela construção centenaria, quando se aproximou uma Senhora que rispidamente me falou "por favor, saia de cima do túmulo do Capitão" ao olhar para o chão, vi que estava sobre uma lapide com a seguinte inscrição entalha "Capitão Felisberto Pinto Bandeira, Mestre da Ordem 3ª de São Francisco, morto em 28/04/1831" exclamei "nossa" e a senhora completou "ele é descendente do Brigadeiro Raphael Pinto Bandeira"
    Instantaneamente me veio a lembrança, uma das festas de final de ano lá na chácara da Hidráulica, quando o Tio Frederico conversando com a mãe e a Tia Maria Gomes, falaram de uma certa descendência da Bisa Anna com o Brigadeiro Raphael.
    Pois bem, de volta a Curitiba resolvi pesquisar em arvores genealógicas, logicamente que em nome do Vovô Gomes não iria encontrar nada, fui para os nomes a que tenho lembrança, Pinto, Bandeira e da Nova. Já estava desistindo, sem nada achar, quando de repente me deparei com o Pelotas13horas e o teu nome.
    Por curiosidade te pergunto, sabes de onde vem o sobrenome Bandeira da Vovó Anna?
    Agradeceria se pudesses perder um tempo e me responder pelo e-mail eduhasseler@hotmail.com
    Um Grande abraço

    feito em 08/02/2014 09:41:11

    Meu nome: José Rodrigues Gomes; coincidência ou não nossos nomes idem tenho 74 anos de idade. Fico feliz de ver comentários de pessoas que venceu com honestidade e deixa saudades. Nossas vida é como uma viagem de trem começando de nossos antepassados; de lá para cá quantas pessoas embarcaram e desembarcaram deixando grandes saudades. é o caso de seu avô José Rodrigues Gomes Neto. Como disse uma viagem de trem quantas pessoas já embarcaram na vida de nossos pais e amigos trazendo alegrias aprendizado ou até nós ensinando ser cordiais uns com outros. E que alguns deles já desembarcaram e que sentimos muita falta e Saudades.

    feito em 21/09/2013 10:03:09

    Acho, José, uma das saudades mais crueis, essa, a da Terra Natal, a bem distante. Terra para a qual nunca mais se volta.
    Um abraço.
    Acho que sinto também alguma saudade de Portugal.
    Vaz.

    feito em 06/09/2013 15:41:26

    Que belo resgate Professor, Abraços.
    Eduardo Pereira

    feito em 05/09/2013 14:00:38

    Professor José Gomes, sem duvida a saudade do lar existia em seu avô, como uma leve melncolia presente a tantos imigrantes como ele, que nunca voltaram para casa. Mas posso até lhe garantir numa pobre tentativa de consolo: Apesar deste pesar, eles estavam muito felizes cá na freguesia de São Francisco...
    Bela reminiscencia!
    Abraço, Alexandre Borio

    feito em 03/09/2013 21:57:57

    Muita sensibilidade do autor.
    Marasco

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