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Clayton Rocha - Trajetória

    José Rodrigues Gomes Neto

    Redondo da Praça

    Quem nunca participou de um baile no Redondo da Praça Coronel Pedro Osório, durante o carnaval, não sentiu, ainda, alegria em grau máximo. O Carnaval em Pelotas acontecia na rua Quinze de Novembro, no pedaço entre as ruas Tiradentes e Voluntários.

    Publicado 27/01

    Quem nunca participou de um baile no Redondo da Praça Coronel Pedro Osório, durante o carnaval, não sentiu, ainda, alegria em grau máximo.

    O Carnaval em Pelotas acontecia na rua Quinze de Novembro, no pedaço entre as ruas Tiradentes e Voluntários. A Praça constituía um apêndice ao trecho citado. Ela era cercada, em três de seus lados, um de frente para o Teatro Sete de Abril, outro diante do Grande Hotel e o terceiro na frente dos casarões históricos, por pequenas bancas que vendiam lanches e bebidas.

    Em torno delas reuniam-se “conjuntinhos” musicais que passavam ali a noite toda entoando sambas em ritmo lento. Naquele tempo, e para tentar ser exato não vejo como deixar de comentar que havia uma marcada diferença de classes sociais. Não lembro se já falavam, em linguagem comum, em classe alta, média e baixa ou se eram identificadas pelas letras A, B e C.

    O fato é que a diferença saltava aos olhos, principalmente desde um ponto de vista econômico e, arrisco a dizer, cultural também. Falo isso, já disse, apenas com a preocupação de narrar, com fidelidade, como era nosso carnaval. Assim, tomando por base parte daquele trecho que mencionei, entre a rua Tiradentes, incluindo a frente do Mercado e a entrada da Quinze, a frequência pertencia à classe menos favorecida, e, a partir da Ilha(assim chamávamos o largo que existe hoje entre o Rex Hotel, Praça, Banco Itaú e Confeitaria Márcia Aquino, porque ali havia um canteiro redondo com um poste e este dava suporte à Voz do Povo que funcionava com propaganda e música, com destaque para a oração da Ave Maria às seis horas da tarde) os frequentadores eram os mais bem aquinhoados.

    Na rua Quinze, as lojas colocavam cadeiras na calçada e as alugavam para que o carnaval de rua fosse assistido comodamente. O carnaval de rua, bem, esse era um verdadeiro carnaval. As escolas de samba, Teles, General Osório, a Academia do Samba Fica Aí, os blocos da Girafa da Cerquinha, do Camelo, do Agüente Se Puder, e tantas outras entidades, assim como grupos de foliões que se formavam, passavam mais de uma vez pela Quinze para delírio da multidão que acabava caindo no samba, como se dizia antigamente.

    E não pensem que esses carros alegóricos que se vêem no Rio de Janeiro ficam muito acima dos que faziam nossas entidades. As musicas, quando lembro delas fico emocionado: “Girafa, girafa, girafa, oi; Essa girafa da Cerquinha está maluca; Ainda não é hora do batente; Ela fica impertinente acordando toda gente” ou ...”Mas o Camelo ficou sozinho; Quis vir ao mundo; Mas errou o caminho; Chegou agora, chorando as mágoas; Dizendo eu vim do oriente; P'ra ver a enchente; Eu quero é água”. São só uns pequenos trechos.

    O bárbaro é que esses desfiles eram entremeados pelo corso de automóveis e até de caminhões que também transportavam carnavalescos. Apesar da referência a que me senti obrigado a fazer a respeito de classes sociais, pelo compromisso de contar como realmente se desenvolvia o carnaval em nossa cidade, essa diferença, na hora do samba, deixava de existir e acontecia uma fantástica confraternização e todos, independentes de tudo, pulavam juntos. E o Redondo? Bem, esse era um caso à parte. Lá não desfilavam as escolas nem os blocos organizados e sim grupos e indivíduos que se deixavam tomar pela inacreditável animação com que os bailes
    transcorriam.

    Ficávamos contornando o chafariz das Nereidas, animados pelos conjuntos de músicos que também circulavam, como nós, por horas e horas a fio. O baile quase que até nem terminava. Passava de um dia para o outro e os participantes, muitas vezes tomados por excesso de bebida, talvez nem percebessem há quanto tempo sambavam. Muito raramente, tanto no Redondo como na Quinze, viam-se brigas e manifestações de violência. Não sei se consigo transmitir, para quem não estava, então, todo o esplendor daquelescarnavais inesquecíveis. A cidade, além do mais, atraía turistas de todo o Brasil, pois aqui, diziam, acontecia um dos principais carnavais do país.

    Garanto, e não estou sendo saudosista, o rumo que tomou o carnaval de Pelotas aproxima-se de um espetáculo, aliás muito bonito, mas que nada tem a ver com a alegria dos tempos de outrora.

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    Fonte: José Gomes Neto

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    Comentários (12)

    12º feito em 09/02/2019 00:30:42

    Saudades desta época,foi neste mesmo ano que conheci meu marido que hj estamos juntos devido aos meninos vestidos de palhaço, rendendo o rosto pra não ser visto,e hj enxergo ele naturalmente,mas não eswieco o primeiro dia q o conheci

    11º feito em 09/03/2017 14:42:14

    Achei linda sua matéria, meu pai Francisco de Paula Rodrigues, apelido Chico do Assobio , nascido na cidade de Pelotas, contava que numa manhã ele resolveu sair pra rua em que era carnaval , sozinho e com um tambor, ele era morador da Cerquinha, fez uma mascara com jornal e cola feita com farinha de uma cabeça de uma girafa e saiu tocando um tambor, na hora lembrou da musica que na época fazia muito sucesso o Cuco. Com esta melodia , fez uma letra assim : Girafa, girafa, girafa oi,
    esta girafa da cerquinha esta maluca
    ainda não é hora do batente ela fica impertinente
    acordando toda gente
    Pena que na época não eram feitos documentos , mas devem existir ainda alguém que saiba desta historia. Estou lhe contando sómente para que o Senhor saiba de onde veio a melodia. De um cara que amava carnaval ! Abraços

    10º feito em 18/03/2014 15:37:08

    Ainda gurizão e com cabelo, inicio do anos 60, saí de casa num sábado de carnaval e só voltei na quarta de cinzas, não conseguindo ir pro trabalho, que por sinal ficava a 50 metros de minha casa! Prá não perder dinheiro dos feriados, fui procurar um atestado médico, na SAMDU, inventei tanta dor no corpo, que o médico se assustou e me mandou para exames...valeu: eu estava realmente doente e não sabia, acabei ficando vários anos em tratamento com dr. Naum Kaiserman...SOLON SILVA.

    feito em 18/03/2014 14:54:32

    Meu caro amigo professor: Vivi intensamente os carnavais narrados, tanto na 15 de Novembro como na Rua Andrade Neves. Os desfiles que seguiam pela 15, dobravam na Voluntários e ingressavam na A. Neves. Lembro que as entidades (Rainhas, Princesas) eram agraciadas pelas Casa Procópio e pela Drogaria Unicum que montava palanque particular para receber convidados ilustres. A dispersão ocorria na esquina da rua Lobo da Costa. Abração....

    feito em 12/02/2013 12:18:12

    Ficavam contornando o chafariz das Nereidas, arrastando os pés e cantando, por horas a fio. Aliás, por dias a fio, porque o Carnaval do Redondo não tinha interrupção. A não ser no período da manhã até a metade da tarde, passava de um dia para o outro. Até o varredor da praça entrava na dança, abraçado na vassoura.
    À noite, a grama dos jardins servia de cama quando cansavam (“...e hoje nóis pega a páia nas grama do jardim...”). Dormiam, acordavam e voltavam para o Carnaval.

    feito em 16/01/2013 19:57:56

    Sem palavras eram outras épocas onde as pessoas saia para se divertir e não gerar violência com as outras,shou de bola,me lembro um pouco,mas são boas lembranças,Sérgio

    feito em 16/02/2012 19:18:15

    não tive muita oportunidade ,mas ainda consegui ver alguma coisa na rua 15 e no redondo da praça,lembro vagamente,mas, acho que ninguém pagava arquibancada e, a violencia era mínima,confetes ,serpentinas e as máscaras eram liberadas. lembro que minha mãe sempre procurava uma vó de cor negra que vendia um maravilhoso pastél de carna que era uma delicia.obrigado por existir este espaço,continue sempre,obrigado.sérgio vilela,compositor pelotense.

    feito em 31/01/2012 16:24:05

    Antônio. Haverá algum assunto que não termine, para ti, em ricos e pobres? Pois não era assim. Na Quinze, a confraternização era imensa e os negros não eram descriminados. Tampouco o Willy era frequentado pela nobreza decadente. Isso é cousa de um passado muito distante, lá pelo princípio do século passado.

    feito em 30/01/2012 11:02:16

    O auge do carnaval da elite, então quase falida (saudosa do tempo do Banco Pelotense), de Pelotas era a Taberna do Willy. Quando ali passavam, as "baterias" das escolas de samba tocavam com maior vigor, onde se destacavam os pistons (trompetes). As músicas eram conhecidas por todos, que cantavam e empolgavam ainda mais os desfilantes, especialmente os passistas (Valentim é, hoje, uma lenda). É! O carnaval de hoje não tem nada a ver com o daquele tempo. É saudosismo? É. E daí? Qual é o problema? Ernani.

    feito em 30/01/2012 00:32:51

    José Gomes Neto: o melhor da semana ficou por conta deste teu texto sobre a praça Pedro Osório! à altura de um bi-Centenário. Clayton.

    feito em 29/01/2012 22:03:41

    Tenho estas mesmas recordações que o José Gomes e o Ernani nos trazem.
    Lembro-me particularmente do "Aguenta". Quando ele entrava na Quinze, não havia quem não fossee pular.
    Muita alegria! Muita alegria!
    Quanto ao "redondo da praça", minha mãe me pedia para não ir lá. Me dizia que era perigoso.
    Acho que não era bem isso. É que ali havia uma "maior descontração". Nada, porém, ao que ouço, que se compare com o que passa na televisão, hoje.
    O lança-perfume fazia com que as mocinhas bonitas, os alvos preferidos dos atiradores, usassem máscaras de plastico transparente. Um horror!
    Muita alegria! Muita saudade!

    feito em 28/01/2012 10:18:46

    Excelente, Professor. Seu artigo traz à baila várias questões antropológicas e históricas para serem pesquisadas na Academia. A questão racial x classes socioeconômicas sobressai. Não sei se é saudosismo, mas era um carnaval mais alegre. Pelo que eu consigo lembrar - 1953-54 - na rua XV, os pobres, onde predominavam os negros, é que desfilavam para os ricos, os brancos, que ficavam nas cadeiras que eram colocadas ao longo das calçadas. Era o auge para os carnavalescos. Brincavam com confetes, serpentinas e lança-perfumes (vai chegando Marasco). Atingir as costas do flerte com lança-perfume era um orgasmo (chegou o Marasco). Fui do tempo em que, atrás da Banda do "Aguenta se Puder", tocando o frevo "Vassourinha" (vide: http://www.youtube.com/watch?v=V33XspdDn4k), a turma entrava e era um espetáculo. "Bons tempos aqueles". Quando muito, um cheirinho de lança-perfume! Continue Professor. Ernani.

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