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Clayton Rocha - Trajetória

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    Pelotas

    Ah! Minha Velha Senhora. Num piscar de olhos, correram duzentos anos. Duzentos anos que fizeram de ti esta dadivosa cidade, que soube recolher em seu seio, sem distinção de raças, credos, nacionalidades, todos aqueles que um dia vieram em busca de abrigo.

    Publicado 06/07

    Ah! Minha Velha Senhora. Num piscar de olhos, correram duzentos anos. Duzentos anos que fizeram de ti esta dadivosa cidade, que soube recolher em seu seio, sem distinção de raças, credos, nacionalidades, todos aqueles que um dia vieram em busca de abrigo. Eles encontraram  condições favoráveis, e, mesclando-se aos que aqui já viviam, planejaram um futuro que nos deu este presente encantador de que desfrutamos hoje.

    Eu te conheci no dia em que nasci – 21 de junho de 1934 – portanto, muitos destes duzentos anos, estivemos juntos.

    Cheguei pela madrugada, o que mais tarde acabaria por influenciar meu jeito de vida. (Faço agora essas reminiscências às duas horas depois da meia noite).

    Evidentemente, isso é sempre um grande acontecimento para uma família, e comigo não foi diferente.

    Como todo mundo sabe, as primeiras sensações são imperceptíveis, mas comecei, então, muito cedo, a trilhar o meu caminho.

    Acho que vem daí a ideia que tenho de que sou o dono do mundo. Do meu mundo, entendam bem, por favor,  pois sem mim ele não existe e se ele não existisse, tudo, em relação a mim, seria um nada.

    A meu ver, essa ideia confirma aquele pensamento expresso pela frase “eu sou eu e minhas circunstâncias”.

    Mas, logo, logo começaram as relações de toda ordem. Não vou fixar a cronologia porque ela acontece, na vida, meio aos saltos. Observem que muitas vezes, em apenas um breve momento, estamos muito mais adiante do que nos parece.  

    Minha comunicação com os familiares, pai, mãe, irmãos, foi extraordinariamente intensa.  Aí  senti proteção e, por isso mesmo, a segurança que me deu  suporte para o início da jornada.

    A seguir, caí, como acontece com todos, no meio social, e comecei a construir amizades. Estabeleci laços indestrutíveis com muitos amigos e colegas e comecei, também, a partir de certo momento, a viver grandes, imorredouros e eternos...amores.

    Porém, eu não quero falar de mim.

    Quero mais falar é de minhas circunstâncias e elas têm como cenário, basicamente,  Pelotas. Quase tudo o que me aconteceu, e vem acontecendo, foi sob seu manto protetor.

    É sobre ela que quero dizer alguma cousa que, tenho certeza, será muito pouco perto de sua grandeza.

    Ela também me conheceu no dia 21 de junho de 1934.

    Começamos, ali, lado a lado, uma caminhada comum. Apesar disso, a minha postura diante dela, era de um filho.

    Ela me abrigou e me abriga, em seu âmago. Sinto isso, com um sentimento recíproco de amor.

    Nada me enfurece mais do que vê-la atacada, principalmente por quem chega ou, ainda, pelos que foram embora.

    Ela é uma cidade que oferece, a nós, pelotenses, as melhores condições de vida.

    Nesse tempo em que vimos andando, da forma com que acima me referi, Pelotas cresceu ordenadamente.

    Chegou a um estágio de progresso que nos permite reconhecê-la como uma comunidade avançada e detentora de um nível de vida invejável.

    Essa minha manifestação, que pode ser, e deve ser, tomada como uma demonstração de bairrismo explícito, não carece de comprovação. É fato notório.

    Nada tem de artificial.

    Voltando lá para o início das minhas andanças, digamos, década de quarenta, tínhamos uma população de cerca de oitenta mil habitantes.

    Tenho a sensação de que este sentimento de amor, que manifesto pela minha cidade, está nos corações de quem, como eu, teve a ventura de nascer aqui. E fomos nós, todos juntos, irmanados, que a erigimos e a elevamos à categoria que ostenta hoje.

    Quando eu era menino, as ruas estavam calçadas com pedras irregulares, o que significava muito, pois nessa época, viajando com meus pais, de automóvel, atolamos a duas quadras da praça principal de uma cidade da região.

    Talvez não seja do conhecimento de todos, mas fomos pioneiros em muitas cousas.

    Pelotas foi a terceira cidade do Brasil a ter luz elétrica pública, que substituiu um serviço primoroso de gás, pelo qual se iluminavam as casas e as ruas.

    A Rádio Pelotense também foi a terceira estação transmissora do país e a primeira do Rio Grande do Sul.

    O serviço de bondes, desde aqueles que eram tirados a mulas até os elétricos sempre estavam à frente das demais cidades.

    A Companhia Telefônica Melhoramento e Resistência ofereceu o mais alto padrão técnico em seus serviços..

    O Diário Popular, hoje centenário, está presente, guardando, com fidelidade, a história de Pelotas e constitui o principal órgão informativo da cidade.

    Nós não perdemos tudo isso. Percebam que esses pontos, trazidos ao acaso, como exemplos, foram modernizados.

    Poderiam agora perguntar-me: e quem foram os principais responsáveis por tudo isso? Quais os nomes deles?

    Ninguém fez o que fez para ter seus nomes  perpetuados. Todos deram o seu esforço desinteressado e em prol da cidade.

    Tudo aconteceu com o desdobrar de gerações.

    Assim, sempre, como numa corrida de revezamento, cada um vai entregando, a quem vem, o bastão, e o novo detentor seguirá em frente, na construção eterna da cidade.

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

    Fonte: José Rodrigues Gomes Neto

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    Comentários (2)

    feito em 07/07/2012 14:46:18

    Belas reminiscências professor! O senhor é quase um reporter Esso, Testemunha Ocular da História. Viu muitas coisas dignas nos bons tempos e nem tanto por agora! Confesso ter um pouco de inveja...
    Abraço, Alexandre Bório - Pelotas

    feito em 06/07/2012 23:14:32

    Pelotas merece esta inequívoca demonstração de amor! Sempre a trataste com respeito e altíssima consideração, em cada uma de tuas falas no rádio. Sou a testemunha viva de todo esse apreço. Tua crônica está à altura deste dia 7 de julho de 2012. E eu, que cheguei aqui aos 17 anos, fui beneficiado pela pujança pelotense daquele ano de 1967. Devo o que sou a esta cidade, que também é minha, e onde recebi, orgulhoso, dois de seus principais títulos: o de Cidadão Pelotense, em 1989; e o de Pelotense Emérito, na primeira década do século XXI. Forte abraço do Clayton.

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