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Clayton Rocha - Trajetória

    Artigos

    Obra e autor

    Na medida em que leio o livro, transforma-se a imagem que eu tinha da pessoa do autor. Transforma-se para melhor.

    Publicado 19/12

    Cyro Martins lembra conversa com seu amigo, meio presente, meio ausente, Érico Veríssimo. Este aflora o tema leitor autor, discorrendo sobre a necessidade de certa reclusão do autor evitando exposição frequente ao público. Seria permitir ao leitor pensar o autor, pelo que lê e não pelo que vê, alforriar o imaginário dos limites da percepção física, material existencial e deixá-lo livre para que construa o autor no compasso das emoções e sentimentos, que brotam do diálogo silencioso entre os dois.

    Afastada a hipotética esquizofrenia de J.D.Salingerr, parece que o autor do Apanhador no Campo de Centeio acolheu essa ideia; manteve-se recluso quase toda a sua vida, após o imediato sucesso do Apanhador.

    No mais das vezes autor e pessoa do autor não compaginam.

    Em recente biografia de Jean Paul Sartre, aponta a biografa a expectativa dos encontros de Sartre e Albert Camus, ícones da literatura após a 2ª. Guerra mundial. O desejo geral era que fossem alentados e alastrados os  temas de discussão, entre eles, capazes de esclarecer, mostrar caminhos ao homem. Foram amigos, desentendiam-se, frequentemente; as conversas eram banais. Cada qual trazendo a piada mais recente, boa parte delas, pornográficas.

    Falo disso porque me defronto com excelente obra de autor  inédito para mim. Conheço o homem, em situações que não me atraíram a simpatia e dele  guardei certa reserva. Opostos em política, em doutrina. Tomou a  nuvem por Juno, o continente pelo conteúdo e criou a lenda de que eu participara da reacionária ARENA, braço político inventado do regime golpista militar de 64.

    Agora tenho nas mãos e lidos os contos que enfaixam  um livro de conhecido autor.

    Desafiando área que não é a minha de simples leitor ou ledor, ouso a crítica literária.

    O autor adota a novela narrativa, de forte tradição na literatura.

    O tema é memorialista e ficcional memorialista. O que lembramos vem tisnado de nossos desejos e dificilmente se reproduz com certeza o que realmente ocorreu .

    O autor, contudo, mantém-se próximo da verossimilhança; os contos são curtos, técnica difícil, manejada pelo autor com habilidade. Embora o livro em comento seja inédito para mim ( desconheço outra obra literária do autor) desvenda-se a prática e gosto do autor pela literatura. Por certo, escreveu outros livros ( contos, romances, poesia ) não publicados.

    Linguagem escorreita, clara insubordinada ao apelo pop cult, da net, redes sociais, estrangeirismos, barbarismos linguísticos que aos poucos penetram em nossos melhores dicionários. Os contos possuem traço da linguagem clássica, o que os torna agradáveis de ler e instrutivos.

    Rompendo a crosta do continente, aventurando-se nas camadas do conteúdo, o livro surpreende. O localismo do autor não subtrai o universalismo.

    O conto  Wooden Allen Revisitado, abrange fato humano não muito incomum e extremamente interessante. Além de revelar a arguta observação psicológica do autor, ironicamente traz uma explicação freudiana para o fato, demonstrando o repúdio do autor para com a vulgarização da psicanálise e o uso inadequado das importantes descobertas de Freud.

    O toque machadiano é ostensivo no conto Sangue Italiano. Melhor dizendo Capitu e o enevoado das dúvidas  e indagações manifesta-se, fazendo o leitor vacilar. O Maravilhoso Feminino presente no conto, dá a medida das observações e conhecimento do autor sobre os fatos da vida.

    Falo de dois contos, apenas. Há mais para comentar, todos muito saborosos.

    Obra e a pessoa do autor, eis a questão!

    Na medida em que leio o livro, transforma-se a imagem que eu tinha da pessoa do autor. Transforma-se para melhor.

    Distante como pessoa, cálido e presente como autor. Aparentemente indiferente, movido apenas pelo político, o livro revela personalidade fortemente vinculada à vida vivida, com fina sensibilidade. Intelectualizado nos encontros, no livro não há qualquer intelectualização acadêmica, filosofanças, etc...

    Deixa transparecer na obra, sem exibicionismos, o grau de cultura humanística que reconhecidamente possui.

    Não sei ao certo se desejo conhecer melhor o autor ou a pessoa. Creio que ambos.

    De que livro estou tratando? Revelo: Rastros num Caminho. Recomendo a Leitura, o livro é encantador.

    De que autor?

    Do professor, sociólogo, politólogo, advogado, José Luís Marasco Cavalheiro Leite, a quem muito respeito.

    Leia mais sobre: Artigos, Francisco de Paula Bermudez Guedes

    Fonte: Francisco de Paula Bermúdez Guedes

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    Comentários (2)

    feito em 20/12/2013 08:20:12

    Meu bom Guedes (já havia te endereçado este tratamento...);
    Também eu, antes, pude te conhecer poeta de rara leveza e de indiscutível sensibilidade (registrei aqui, neste sítio a que comparecemos de quando em vez, o agrado que experimentei na leitura de tuas "Cirandas").
    Para nossa satisfação, temos demonstrado que somos capazes de encontrar mérito onde ele exista, a despeito de querelas em que tenhamos estado imersos.
    Vejo em tua manifestação a prova de tua grandeza de espírito.
    Com sinceridade, acho que minhas linhas de cronista e de contista não se enquadram no tanto que delas dizes. Tuas lisonjeiras observações, no entanto, me animam a perseverar em novas aventuras literárias para que me faça merecedor de teu entusiasmo.
    Um abraço do Marasco

    feito em 20/12/2013 08:10:24

    Por duas vezes inseri comentários sem que fosse dado o sinal de recepção.
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