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Clayton Rocha - Trajetória

    Artigos

    O pedido de Clayton Rocha à família Ramil

    Publicado 21/03

    Na segunda-feira compareci ao programa 13 Horas, da Rádio Universidade, que em novembro completará expressivos quarenta anos de programação ininterrupta e diária sob o comando do jornalista Clayton Rocha. Conheci-o em 1989, na UFPel. Firmamos, desde então, sólida e grande amizade. Aprendi a conhecê-lo. Ele mescla mau humor com um coração doce, destemperos súbitos com recuperação rápida do afeto, tristeza sem fim com renovação de entusiasmos. Irá para o céu facilmente, feitos os balanços todos que anunciam os cristãos. Esbraveja, cobra atitudes, bate na mesa, e repentinamente, retomando o bom juízo que falsamente havia perdido, faz um gracejo, hiperextasia suas homenagens, comove-se. É um homem emocional, o meubom amigo. Pio, tem apreço crescido por assuntos da igreja católica. Fez grandes coberturas internacionais ao longo de sua carreira, desde a posse de papas e copas do mundo até a devolução de Hong Kong à China pelo Reino Unido e a transmissão da unificação da Alemanha, ocorrida no ano seguinte após a queda do emblemático e constrangedor Muro de Berlim. No seu programa, ao longo dos anos, fez incontáveis entrevistas. Ao Treze compareceram chefes de Estado e políticos de toda ordem, cientistas, artistas, intelectuais. Fez muito mais que isso, seu currículo profissional é muito vasto, e seu microfone tem uma enorme importância e respeitabilidade regionais.

    Mas Clayton, não raramente, aferra-se à defesa de causas. Algumas quase utópicas, outras no horizonte do possível, e as que conheci foram todas moralmente defensáveis. Tomado por uma febre incontrolável, aqui e acolá entrega-se com incomparável denodo ao amparo de uma ideia, de uma realização, de uma negociação. Tem sempre o pensamento vinculado a Pelotas, cidade que adotou e que o reconheceu como filho seu – no mesmo ano que o conheci, recebeu o título de Cidadão Pelotense, recordo.

    Pois bem, anteontem, quando compareci ao Debate Treze Horas, ao qual frequento de maneira bissexta, lá estavam também os membros mais jovens da família Ramil, Tiago, Gutcha e Ian, para divulgar o show que realizariam no dia seguinte no Theatro Guarany. Clayton Rocha está há algum tempo gratamente enfeitiçado pela ideia de tudo fazer pela duplicação da BR 116, entre Porto Alegre/Pelotas. Consumido por uma daquelas vontades que se tornam fixas em sua cabeça de insistências santas pelas coisas de relevância, e sobre as quais pouco ou nada se faz, ele tem viajado atrás de apoios, apelado a políticos, reunido pessoas de todas as pelagens, emprestado seu proverbial voluntarismo e feitointercessões impressionantes, tudo para que essa obra se realize. Algum troco, ainda insuficiente, foi obtido à conta de seus empenhos pessoais, agregados aos esforços coletivos do exército que arrebanha por aí. Capengamente, fragilmente, quixotescamente, mas sempre com destemor e esperança.

    Aproveitando a presença dos músicos, Clayton lhes sugeriu: - “e se vocês todos, juntamente com seus pais e tios, fizessem uma canção em apoio a essa intenção? Faço esse pedido como um velho amigo da dupla que vem desde o tempo de “Os Almôndegas”, e que muitas vezes nessa sala já estiveram. Digam isso a eles, por favor, pois a região precisa também – e muito - de artistas que se vinculem a esse propósito”. Foi então que o Luiz Carlos Vaz, outro apreciadíssimo amigo, inteligente e irônico, que os anos tornaram também um ícone do programa, sugeriu que o mote da suposta composição musical levasse em conta a música “Maria Fumaça”, uma das mais reconhecidas criações de Kleiton e Kledir. Ao final, entenderam que os versos deveriam contar a história, na forma de alegoria metafórica, de um trem (ônibus) que sairia com passageiros jovens de Pelotas e chegaria em Porto Alegre com todos já envelhecidos, dado os percalços de uma viagem assemelhada à que por agora fazemos nessa carreteira movimentada, avariada e assassina.

    Achei a ideia boa. Não saberia torná-la uma canção, claro. Confundo o ré com o mi a ponto de dar dó, mas uma tal concepção, no interior de um engenho artístico de imensa sensibilidade, como o dos Ramil, talvez possa ganhar contornos que deem parto a uma bela canção. Icônica e chamativa,que dê pontos à criatividade dos seus autores e também traga estímulos, pelas naturais provocações que a arte produz, à realização dessa obra. É só uma simples estrada, mas são almas incontáveis que podem mais viver, a ponto de terem tempo de ainda por aqui serem gratas e aplaudirem de pé mais uma de nossos artistas. Quem sabe?

     

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    Fonte: Pedro Moacyr Perez da Silveira

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