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Clayton Rocha - Trajetória

    Opiniões

    O famigerado aterro sanitário do Cerrito Alegre, no 3º Distrito de Pelotas

    Publicado 09/03

    Quando o assunto é lixo o que não falta são opiniões e dados técnicos dos mais variados. O Brasil produz 240 mil toneladas de lixo, todos os dias. 45% do que geramos é reciclável, mas aproveitamos pouco mais de 2%. Os materiais recicláveis dominantes no nosso lixo compreendem: papel e papelão 25%; metal 94%; vidro 3%; e o plástico cerca de 3%, também. Os principais destinos do nosso lixo são: ainda os lixões 75%; aterros controlados 13% e aterros sanitários, apenas 10%. Mas estes são, apenas, dados nacionais médios e a realidade de cada região pode variar bastante.

    Enquanto o Nordeste apresenta o maior número absoluto de municípios com lixões, o Sudeste lidera a quantidade per capita de lixo gerado e o Sul o menor percentual. Aliás, por aqui a gestão dos resíduos está mais amadurecida, estamos inseridos num processo de universalização semelhante a de países europeus e agora temos os mais elevados índices de coleta seletiva do país. O aterro sanitário é a forma de disposição final dos resíduos mais segura e eficiente que conhecemos.

    Trata-se de um projeto engenharia bastante complexo, que exige uma série de cuidados adicionais. Na decomposição dos resíduos ocorre a liberação de gases e líquidos (chorume ou percolado) muito poluentes e por isso é tão importante garantir o máximo de eficiência na impermeabilização do solo e sistemas de drenagem e tratamento, para evitar a contaminação da água, do solo e do ar. E para servir como disposição final adequada, o aterro sanitário precisa se encaixar no conceito da Política Nacional de Resíduos Sólidos-PNRS (Lei 12.305/10) que definiu a disposição final adequada na distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observada as normas operacionais específicas, de modo a evitar riscos à saúde pública e impactos ambientais adversos. E é justamente aí, que eu me refiro.

    A ideia de um aterro sanitário em Pelotas é excelente, a distância para descartar o lixo será menor e vamos economizar com isso, mas daí pensar que a iniciativa isolada de um empreendedor será a solução para todos os nossos problemas é pouco inteligente. O lixo precisa ser reduzido na origem, o que nos leva a refletir sobre nossa cultura consumo e desperdício. Afinal, a Terra é uma só e os recursos são realmente finitos. E quando decidimos retirar de circulação tudo que não parece útil quebramos a lógica básica de qualquer sistema natural, de recirculação e ciclagem dos materiais. O aterro compreende uma atividade perigosa, com alto poder de poluição, que desvaloriza o lugar em que é instalado, perturba vizinhos e gera graves problemas de logística.

    O aterro sanitário do Cerrito Alegre vai gerar todos estes efeitos, mas já ganhou a Licença Prévia (LP) da FEPAM, que parece estar bem completa, apesar de não considerar o valor imaterial daquela região, a vocação dos usos e nem a vontade das pessoas, que lá vivem e construíram suas vidas. O pedido de Licença de Instalação (LI) está em análise e o IPHAN acaba de liberar o empreendimento, mesmo se tratando da bacia do Pelotas, em área relativamente próxima do arroio, de onde também captamos água e é patrimônio cultural do Estado. O lixo é da competência do SANEP, mas a autarquia tem evitado falar sobre o assunto. O que é, no mínimo, estranho. Pois se a empresa pretende concorrer ao serviço, por que comprou uma área nobre e produtiva, solicitou licença e investiu em estudos técnicos, como se estivesse certa de que vai vencer a licitação? Pior, tudo isso para atender a demanda dos próximos 20 anos, num contrato de 40, sabendo-se que a validade do isolamento gira em torno de 50. Realmente, é muito risco para algo tão perto da água que usufruímos.

    De outra parte, precisamos estimular o debate, pois é importante que todas as pessoas compreendam o que está acontecendo. Dizer sim ou não, baseado em argumentos genéricos não funciona bem. Portanto, antes que o processo de licenciamento avance é preciso que uma equipe multidisciplinar de técnicos se debruce e analise o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do empreendimento, e o espaço legítimo para este debate é na nossa Câmara de Vereadores, junto dos nossos representantes.

    Tudo indica que o local previsto para o aterro não é o mais adequado e talvez a iniciativa do empreendedor deva ser acompanhada por outras iniciativas do município, de estímulo às cooperativas de catadores e educação ambiental. O lixo gera renda, gera emprego e devemos aproveitar a oportunidade para consolidar a universalização deste serviço na nossa cidade. Sem esquecer que aterros sanitários, apesar de importantes, não podem colocar a nossa saúde em risco.

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    Fonte: Prof. Dr. Marcelo Dutra da Silva - Ecólogo - dutradasilva@terra.com.br

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    Comentários (1)

    feito em 10/03/2017 12:31:39

    Prezado Clayton,
    Esse aterro em Pelotas é um absurdo. É coisa de bandidos. Basta ver o que o Vereador Marcus Cunha falou dessa empresa que esta pretendendo implantar a obra.
    Será que os Agentes Públicos de Pelotas envolvidos no processo também receberam propinas desta famigerada empresa corrupta e corruptora?
    A Prefeita da nossa cidade tem que vir a público explicar essa atrocidade que pretende fazer com seu povo e eleitores.
    Por que a pacata, ordeira e trabalhadora comunidade de Cerrito Alegre tem que pagar essa conta e ser sacrificada em atendimento de interesses escusos de meia dúzia de políticos e empresários corruptos e inescrupulosos?
    Por favor Clayton, assuma essa bandeira e não deixe, por favor, que façam isso com a nossa cidade.
    Em quatro anos esses políticos vão embora com o nosso dinheiro e nós vamos ficar com esse lixão pro resto da vida no nosso quintal.
    Obrigado.

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