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    Nuvem Negra

    Não saberia dizer, ainda mais que escrevo hoje, há mais de setenta anos do episódio, quanto tempo aquela cena de filme de horror durou.

    Publicado 23/05

    Como as lembranças vêm de longe!

    Eu não teria mais do que cinco anos e aconteceu um fato raro na minha casa, em São Gabriel, na Xarqueada Santa Brígida, zona rural, que pertencia ao meu avô. Seguidamente estou a recordar fatos ocorridos lá que ficaram gravados na minha memória.

    Um dia, estávamos na cozinha, eu e a Malvina, uma jovem que trabalhava em minha casa, e ouvimos uma zoada fortíssima. Se fosse hoje, talvez pensássemos que era um jato que sobrevoava aquele espaço.

    Lembro-me de que ela ficou muito assustada e correu para a janela dos fundos e, aos gritos de socorro, fechou a vidraça. Foi uma correria enorme dentro de casa e nos encerramos por completo.

    Ela me segurou no colo e ficamos olhando, através dos vidros, uma cena fantástica e inusitada.

    Quase não se via muito longe na rua, pois era tal o número de abelhas enlouquecidas, que voavam desordenadamente, formando uma nuvem, daquelas de temporal, bem preta, que nos tirava a visão.

    Aí, conseguimos divisar que elas, as abelhas, sobrevoavam e agrediam a dois cavalos que estavam soltos, no que se chamava de piquete.

    Eles, desesperados, debatiam-se, saltavam e corcoveavam.

    Não saberia dizer, ainda mais que escrevo hoje, há mais de setenta anos do episódio, quanto tempo aquela cena de filme de horror durou.

    O fato é que elas seguiam, muito ativas, picando os pobres animais.

    Aqui vem o momento que talvez me tenha despertado para escrever esta crônica e que ainda, agora, me comove: aos poucos, os cavalos foram perdendo as forças e, lentamente, começaram a deitar no chão. Já mal sacudiam a cabeça e apenas emitiam um ruído que não chegava a ser um relincho. Eu somente via o que estava sucedendo, não tinha, evidentemente, compreensão para avaliar, para interpretar, porém percebia o pânico que havia tomado conta de todos dentro da casa, minha mãe e minhas irmãs mais velhas, principalmente.

    Agora sei que tudo aquilo aconteceu em pouco mais de duas horas.

    As abelhas, talvez cansadas ou, quem sabe (eu não sei isso até hoje), elas não piquem animais mortos, a partir de um certo instante pararam e começaram a se agrupar, como se tivessem terminado uma tarefa diabólica, e se organizaram em um enxame, que é a formação com que se movimentam.

    De repente, em extrema velocidade, voaram em direção ao fundo do campo, lá para os lados da estância da Caieira, também do meu avô.

    Houve uma grande comoção lá em casa pela perda dos cavalos, que eram usados pelo meu pai para ir para a Xarqueada, que ficava muito próxima.

    Alguns dias depois do fato, ele providenciou um especialista em apicultura, que encontrou o enxame nas matas da estância do Trilha e lá colocou caixas apropriadas para o alojamento delas.

    Pois bem, não passou muito tempo e o encarregado nos trouxe um mel maravilhoso que fora fabricado por elas na nova morada.

    Naquela época eu talvez não tenha pensado assim, mas hoje eu me sinto incomodado por ter comido aquele mel, que, afinal, vinha daqueles bichos horríveis(assim, na minha visão infantil,  eu as classificava).

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

    Fonte: José Gomes Neto

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    Comentários (1)

    feito em 18/06/2012 22:18:56

    Zé, relato interessante, real e que deve ter te marcado muito. Isto é uma prova de que pequenos animais organizados em grupo podem vencer os grandes animais, se estiverem sozinhos ou desprotegidos. Mais do que uma prova, uma lição! Um abraço, Neiff

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