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Clayton Rocha - Trajetória

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    Momento Histórico: Jorge Luis Borges e Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires

    Publicado 04/01

    Ele nasceu prematuramente de 8 meses, em Buenos Aires: JORGE Francisco Isidoro LUIS BORGES Acevedo. Em 24 de agosto de 1899.
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    Num outro ponto da capital da Argentina um professor de Literatura ensinava seus alunos do Instituto Clássico. Esse professor percebeu que os seus alunos eram criativos e, então, pediu a eles que escrevessem contos:-" me impressionou sua capacidade narrativa. Selecionei alguns contos e os mostrei a Jorge Luis Borges". Também ele ficou surpreso e nos animou a publicar os textos, lembra esse professor de Literatura! Além disso, diz, Borges quis escrever de seu próprio punho e letra o prólogo. Se poderia dizer que eram pequenos gênios ? Não iria tão longe; mas estou certo, isto sim, de que eram normais, arremata o mestre.
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    Assim começa a amizade entre dois Grandes: o escritor Jorge Luis Borges e o professor Jorge Mario Bergoglio, futuro Papa Francisco!
    — "Borges podia falar de qualquer coisa, sem nunca ser soberbo", lembra Bergoglio, futuro Cardeal e futuro Papa. Para além da sua distância da Igreja, lhe surpreendiam a serenidade e a dignidade com que Borges vivia a sua existência.

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    - "Jorge Luis Borges era um agnóstico, mas recitava todas as noites o Pai Nosso, porque havia prometido isso à sua Mãe. E morreu assistido por um Sacerdote", lembra o Engenheiro Químico e professor de Literatura Jorge Mario Bergoglio, desde aquela época um leitor de Borges e de Dostoievski).

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    Em 1986, doente, o escritor argentino casa-se com Maria Kodama.
    Em 1986, (dia 14 de Junho), em plena Copa do Mundo do México, por sinal vencida pela Argentina, Jorge Luis Borges morre em Genebra e é sepultado ao pé de um cipreste no Cemitério Plain-Palais. (De Guadalajara, por solicitação do Ruy Carlos Ostermann e do Ranzolin, transmito pela rádio Gaúcha o funeral de Borges, graças ao sinal de Tv que eu tinha no Estádio Jalisco. Sempre que recordo aquela Copa, recupero mentalmente o grande significado daquele dia. O comentarista da Televisão mexicana era, nada mais nada menos, do que Octavio Paz, o poeta da Pátria, a grande referência nacional.

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    E eu, de microfone em punho, num Estádio cheio, tendo sido convidado, em fração de segundos, a esquecer um jogo da Copa para descrever um funeral, como se eu mesmo estivesse dentro de um Cemitério, o de Genebra, o que deveria fazer? Haveria clima favorável para que eu desempenhasse, e bem, a tarefa que me era confiada?

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    Quando Octavio Paz iniciou a sua transmissão pela Tele México, e falando de improviso, e comovidamente, eu me deixei envolver pelas suas palavras. Ele começou falando de amor, dizendo-nos que o amor é uma tentativa de penetrar no íntimo de outro ser humano, mas isso só pode ter sucesso se a rendição for mútua. Ele exprimia a sua emoção diante de Maria Kodama, a Viúva de Borges, que o amava de coração, que o acompanhara sempre, e que naquele momento se permitia sentir todas as dores do mundo, as dores do afeto, e as dores do intelecto.

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    E ele então lembrava, vendo aquele Sacerdote que escolhia as palavras de despedida em Plain-Palais, que A PALAVRA É O PRÓPRIO HOMEM! Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade. Otávio Paz, à flor da pele, envolveu-me por inteiro naquele clima de despedida e de grandeza; de poesia e de dor; de respeito humano e de respeito intelectual! Naquele momento percebemos, todos, naquela cabine de transmissão, que a tarefa estava sendo cumprida a contento, e que isso ocorria graças à elevada inspiração de um poeta, que nos fez trocar a contundência de uma análise esportiva pelo rigor que o momento exigia, e que era um só: o de elevação do espírito humano em sinal de respeito e de reconhecimento à gigantesca obra de Jorge Luis Borges.

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    POIS 26 ANOS, DOIS MESES E 13 DIAS depois do adeus de JORGE LUIS BORGES, eis que uma "Fumata Bianca" se espalha pelo céu romano, enquanto dobram todos os sinos das mais de trezentas Igrejas da Cidade Eterna: AGORA É A VEZ DE SEU AMIGO! É A VEZ DO PADRE JORGE!

    Ele, o humilde Jorge Mario Bergoglio, o Cardeal de Buenos Aires, o antigo professor de Literatura que pedia aos seus alunos que escrevessem contos, registra seu lugar na História: AGORA ELE É O PAPA FRANCISCO, O PRIMEIRO PONTÍFICE DO CONTINENTE AMERICANO, O PRIMEIRO JESUÍTA EM 2.000 ANOS, O PRIMEIRO NÃO EUROPEU EM 1.300 ANOS, O PRIMEIRO ARGENTINO, ESSE FILHO DA GRANDE BUENOS AIRES; ESSE SEGUIDOR DE JORGE LUIS BORGES, AGORA CELEBRADO E RESPEITADO EM CINCO CONTINENTES; EM SUAS NOVAS FUNÇÕES DE MENSAGEIRO DE DEUS E DE BISPO DE ROMA!

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    Fonte: Clayton Rocha

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