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Clayton Rocha - Trajetória

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    Mercado Público

    O nosso mercado, talvez os mais jovens não saibam e os mais velhos, quem sabe, esqueceram, primava por um mix que hoje seria considerado moderno e, ao mesmo tempo, identificado com os tempos idos.

    Publicado 10/05

    Em quase todas as cidades por aonde ando, mesmo no exterior, tenho por costume visitar o mercado público.

    São, na verdade, centros comerciais formados por bancas, que vendem, em sua grande maioria, produtos alimentícios.

    Obedecem, em geral, a uma destinação determinada pelo poder público correspondente, hoje chamada mix.

    Vale dizer, as autoridades, considerando a área, a localização e fatores proporcionais ao tamanho da cidade, escolhem o que cada uma das bancas pode transacionar.

    Mas, destinam também uns poucos espaços onde funcionam lojas que vendem artesanatos e bazar, outras, quase sempre externas, para instalação de barbearia, instituto de beleza e até mesmo pequeno comércio de roupas, na mais das vezes típicas do lugar.

    Normalmente, neles funcionam restaurantes que são pontos obrigatórios de quem visita a cidade.

    Porém, fundamentalmente, ali comercializam alimentos de grande diversidade, desde os mais simples aos mais sofisticados, assim como produtos dos mares, rios (frescos ou defumados) e igualmente açougues.

    Não é raro também que neles se encontrem produtos horti-fruti-grangeiros.

    Já tivemos um mercado assim, exatamente como hoje é o mercado de Porto Alegre e de Montevidéu e tantos outros que chegam a ser pontos turísticos , como a Boqueria nas Ramblas de Barcelona, de onde os turistas voltam maravilhados. Chegam a destinar um dia em seu passeio para conhecer o mercado.

    O nosso mercado, talvez os mais jovens não saibam e os mais velhos, quem sabe, esqueceram, primava por um mix que hoje seria considerado moderno e, ao mesmo tempo, identificado com os tempos idos.

    A nossa banca do peixe, no lugar onde ainda está, tinha depósitos, com fundo de mármore, onde o pescado ficava exposto no meio do gelo, que a cada momento era renovado, despertava, no freguês, a vontade de adquirir aquela mercadoria tão apetitosa.

    Quem entrava pela rua Andrade Neves, no pátio que está à direita, encontrava as bancas dos produtos rurais e ali adquiria legumes, frutas, etc. de qualidade superior.

    Na parte de fora do mercado estavam as barbearias, bares e o famoso restaurante Pátria, que era ponto obrigatório e abrigo dos boêmios nos finais de noite. Ali bebiam, na madrugada, a última e iam para casa descansar.

    Em 1969 o mercado sofreu um incêndio que o destruiu quase por inteiro, sobraram apenas as paredes externas.

    Nessa ocasião, houve um movimento para que se desse fim ao mercado, em definitivo. Graças ao Professor Francisco Alves da Fonseca, prefeito da cidade, então, o mercado foi reconstruído e preservado, embelezando o centro da cidade.

    Não sei bem em que momento o mix do mercado ficou descaracterizado, mas o fato é que deixou de ser o que era.

    Agora, ele está em fase de recuperação, inclusive as bancas foram todas desocupadas e, ao que me consta, o interior já está pronto, faltando somente a parte de fora.

    Já vi um projeto de mix que me deixou um pouco preocupado, pois me pareceu desatender as regras básicas a que me referi acima. Entretanto, no programa Treze Horas, pessoas encarregadas da reforma deram explicações que me tranquilizaram.

    Tomara que minha preocupação seja infundada e que as cousas aconteçam de acordo com a explicações no programa.

    Essa preocupação não foi só minha, muitos outros manifestaram igualmente suas apreensões.

    Espero que o mercado renasça para a finalidade que é peculiar a esse tipo de empreendimento e que ele venha a ser, como acontece em muitas cidades, um foco de interesse turístico.

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

    Fonte: José Rodrigues Gomes Neto

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    Comentários (3)

    feito em 13/06/2012 09:29:08

    sou cliente do mercado de todos os segmentos mas principalmente das barbearias e acho que falta um salao que atenda o pulico feminino ja que esta sendo modernisado no intuito de atrair mais cientes focando assim um atendimento para toda a familia e nao precisar sair um para cada lado. obrigado

    feito em 14/05/2012 12:29:34

    Sou apaixonado por trens e mercados públicos. A ferrovia me encanta, desde menino andei de trem entre Pedro Osório e Pelotas. Depois, andei de trem em inúmeras ferrovias do mundo. E de outra parte, cultuo um Mercado! Nos 45 países por mim visitados, ao longo da carreira, visitei todos os Mercados possíveis. Em razão disso, considerei tocante o artigo do José Gomes Neto. E acho que a qualidade e a poesia desse texto bem merece ficar na página por uns dois meses. P.S.: Tenho muito medo de ver o Mercado restaurado de Pelotas! Curiosidade também tenho. Mas o meu medo é de não gostar. Clayton Rocha.

    feito em 11/05/2012 21:18:48

    A crônica do Zé fez-me lembrar do "seu" Antoninho; da família Nogueira, que criava seus filhos (hoje, todos muito bem encaminhados na vida) em cercadinhos; da "dona" Conceição e de tantos outros cujos nomes não me recordo.
    Eu, ainda muito jovem, morando na Andrade Neves, quase esquina Teles, diariamente atravessava o mercado. Guardo particular lembrança da banca "A Flor do Mercado", onde uma moreninha extremamente bela (filha da dona?) atendia...
    Onde estão todos eles?
    Marasco, o nostálgico

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