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    Manoel de Barros, o Alquimista das Palavras

    Toda vez que morre um poeta amigo, cria-se um imenso vazio e tristeza. Não mais teremos novas delícias poéticas e as palavras encantadas...

    Publicado 14/11

    Toda vez que morre um poeta amigo, cria-se um imenso vazio e tristeza. Não mais teremos novas delícias poéticas e as palavras encantadas...

    Conheci as maravilhas do poeta pantaneiro, através de uma amiga. Após, o poeta Paulo Sérgio Rosa Guedes chamou minha atenção sobre o pensamento de Manoel de Barros e, de pronto, adquiri suas obras completas. São três meus missais ou Bíblias,sempre, ao alcance de minhas mãos e peças presentes na mesa de cabeceira, confortando de belezas as madrugadas e adoçando a manhã incipiente: as obras completas de Lila Ripoll ( 1905-1967), as do Mário Quintana (1906-1994) e as do grande vate falecido. Sou fiel e atento a lição de Quintana, quando afirma que se a poesia não nos ensina a viver e a morrer, de nada serve.

    A suma da poética de Manoel de Barros está na sua confissão: Eu monumento as pequenas coisas do chão mijadas de orvalho. Esclarece:

     

    “Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.

    Sou formado em desencontros.

    A sensatez me absurda.

    Os delírios verbais me terapeutam.

    Posso dar alegria ao esgoto ( palavra aceita tudo).

     

    (E sei que Baudelaire que passou muitos meses tenso

    porque não encontrava um título para os seus poemas.

    Um título que harmonizasse os seus conflitos.

    Até que apareceu Flores do Mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.)

    As antíteses congraçam.”

    Barros é um corajoso criador de neologismos, garimpeiro das palavras escondidas,nas águas corredias de suas vivências de criança .. Todos passam indiferentes ou mal humorados por uma vaso roto e desgastado de patente,atirado em qualquer canto de terreno baldio. Os higienistas criticam,ambientalistas estarrecem...

    Barros  se detém e poetiza, vislumbra nele belezas e o descreve, no triste estado de abandono, milagrando flores.E assim o faz com os pequenos insetos, as pequeninas aves, percorrendo a paisagem no lombo das águas. Toda sua poética vem encantada no criançamento das palavras, voltadas às desimportâncias.

    Muitos indagam: que é um poeta? Como arvora e floresce?

    Barros explica:


    “O Menino que Carregava água na Peneira
    Tenho um livro sobre águas e meninos.
    Gostei mais de um menino que carregava água na peneira .
    A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
    A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água , o mesmo que criar peixes no bolso..
    O menino era ligado em despropósitos.
    Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos ..
    A mão reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
    Falava que os vazios são maiores até infinitos .
    Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito porque gostava de carregar água na peneira
    Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira .
    No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge, ou mendigo ao mesmo tempo.
    O menino aprendeu a usar as palavras.
    Viu que podia fazer paraltagens com as palavras.
    E começou a fazer peraltagens
    Foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando ponto no final da frase .
    Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
    O menino fazia prodígios.
    Até fez uma pedra dar flor!
    A mãe reparava o menino com ternura ..
    A mão falou: Meu filho,você vai ser poeta .
    Você vai carregar água na peneira a vida toda .
    Você vai encher os vazios com suas peraltagens .
    E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.”

    Quem lê e se enamora por Manoel de Barros,expande sua visão,enriquece de ternuras, humaniza-se e  as coisas, mesmos as insignificantes e desimportantes, jamais, serão as mesmas.

    Forte minha emoção, gratidão e saudades.

    Leia mais sobre: Artigos, Francisco de Paula Bermudez Guedes

    Fonte: Francisco de Paula Bermúdez Guedes

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