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Clayton Rocha - Trajetória

    Da redação

    Lançamento do livro "O teatro de Simões Lopes Neto" ocorre nesta quarta

    Lançamento ocorre a partir das 19h, no Instituto João Simões Lopes Neto.

    Publicado 06/12

    O Boato (1893/1894), Os Bacharéis (1894), Mixórdia (1894/1895), O Bicho (1896), A Viúva Pitorra (versões de 1896 e 1898), e A Fifina (1899). Peças teatrais do escritor pelotense João Simões Lopes (1865/1916), que estão publicadas no livro “João Simões Lopes Neto – TEATRO [século XIX]” (487 páginas). No volume, que é ilustrado com reproduções de algumas das capas das publicações originais, bem como uma imagem de Simões “lânguido” na Estância da Graça, constam ensaios críticos dos autores João Luis Pereira Ourique e Luis Rubira. Docentes na UFPel, Ourique na área de letras e Rubira na filosofia, eles há cinco anos têm se dedicado a pesquisar a produção teatral de Simões. O livro publicado pela editora ZOUK, em parceria com o Instituto Estadual do Livro (IEL), e lançado há um mês na Feira do Livro de Porto Alegre, é o primeiro volume do trabalho que terá sequência em 2018. No próximo ano, peças escritas por Simões no século XX. Para conhecer mais o teatro simoniano, nesta quarta acontecerá lançamento da obra na cidade natal do escritor.

    AUTÓGRAFOS – A partir das 19h desta quarta, programação no Instituto João Simões Lopes Neto – rua D. Pedro II 810 -, com a presença dos autores. Além dos autógrafos, Ourique e Rubira estarão explanando sobre “João Simões Lopes Neto – Teatro [século XIX]”. A publicação conta com apoio do Instituto João Simões Lopes Neto, e Bibliotheca Pública Pelotense.

    TEATRO de Simões conforme Rubira: “As peças são as seguintes, por ordem cronológica: O Boato (1893-1894); Os Bacharéis (1894); Mixórdia!… (1894/1895); O Bicho (1896); Coió Júnior (1896); A Viúva Pitorra (versão em 1896, segunda em 1898); A Fifina (1899); Jojô e Jajá e não Ioiô e Iaiá (1901); Amores e Facadas ou Querubim Trovão (1901); Por causa das Bichas (1903); A valsa Branca (1914); O maior credor (1914); Sapato de Bebê (1915); e a tradução “Nossos Filhos” (1915). Simões verteu para a língua portuguesa o texto ‘Nuestros Hijos’, de 1908, do dramaturgo Uruguaio Florêncio Sanchez. Há notícia de que João Simões Lopes Neto escreveu a peça O Palhaço, representada no Theatro 7 de Abril em agosto de 1900, mas ainda não localizamos o manuscrito”.

    DRAMATURGO – A relevância de Simões como autor teatral, é enfatizada por Rubira: “O fato de Simões surgir como um dramaturgo prestigiado no final do século XIX é duplamente significativo. Primeiro, pelo fato de que há uma intensa cena teatral na cidade, preenchida por grupos que vem de diversos lugares. Além disso, também pelo reconhecimento de Simões como um talento, o que se comprova pela recepção as suas peças à época da encenação. O que a ‘realidade pelotense’ do século 21 ganha, então, é a compreensão de que o teatro em Pelotas, foi uma potência artística na cidade. Ao menos até os festivais que chegaram à decada de noventa. E a cidade teve o seu próprio dramaturgo, ninguém menos do que Simões. Assim, é possível lançar um novo olhar sobre o modo de elaboração dos ‘Contos Gauchescos’, comprovando que Simões, ao escrever a obra, já tinha domínio técnico apurado na construção de personagens. Outro elemento importante, é contextualizar o Simões dramaturgo com outros autores gaúchos e brasileiros. E também do Uruguai, como é o caso de Florencio Sanchez.

    Atualidade do teatro de João Simões Lopes

    Em relação à atualidade do teatro simoniano, pesquisador Luis Rubira observa: “Simões não escrevia teatro tão somente para o público de Pelotas. Por certo, várias peças possuem personagens e situações que fazem referência à cidade, mas basta trocar os nomes e as situações e temos um teatro não local, mas de temas estaduais e nacionais. É o caso, por exemplo, de ‘O Bicho’ (1896). O João Ourique tem mostrado que Simões abordou o tema no teatro, bem antes de Machado de Assis tratar da questão no conto ‘O jogo do bicho’, em 1904. ‘Mixórdia!…’ por exemplo, é uma sátira sobre a ineficiência da administração pública, uma peça com crítica política, haja vista que a protagonista da peça, a Princesa do Sul, vê-se pressionada pelo povo a buscar o progresso da cidade, logo após a queda da monarquia no Brasil. Já A Fifina é uma peça carregada em metáforas sobre a sexualidade, num período em que a moralidade social era bem rígida”.

    EDUCAÇÃO – O professor Rubira avalia se a retomada do teatro de Simões, pode ter aspecto pedagógico: “Pelas peças nós temos acesso a uma Pelotas que, até então, permanecia fechada no imaginário, salvo por documentos e imagens fragmentárias. Nas peças de Simões, encontramos ângulos sobre a realidade de Pelotas. Nesse resgate da memória, possibilidade para conscientizar acerca de aspectos como a preservação do patrimônio histórico. O ‘progresso’ que visa lucro e acúmulo, foi criticado na peça ‘Mixórdia!…’”.

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    Fonte: Carlos Cogoy

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