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Clayton Rocha - Trajetória

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    Lagoa dos Patos: Vendo a morte de perto

    30 de SETEMBRO DE 2016: TEMPO DE RENASCER!

    Publicado 02/10

    (As mãos que ajudam são mais sagradas do que os lábios que rezam!)

    Profundidade, 30 metros. Válter, 50 anos; Marcos, 45 anos; e Clóvis, funcionário do Sanep, 40 anos, tentavam sobreviver, um deles agarrado a uma caixa térmica, os dois outros já muito cansados mas ainda com coletes salva-vidas, nadando sem parar, distantes uns dos outros por uns mil metros. O cenário era o pior possível: muito frio, água gelada, ventos fortes, ondas altas e violentas!

    O barco de fibra daqueles três amigos havia afundado depois de ter sido atingido por uma onda muito forte: Aquele 30 de setembro de 2016, último dia do mês, estava apenas começando a mostrar as suas garras e eles - em estado de choque - negavam-se a acreditar na crueldade daquele calvário. E agora, o que fazer? O horário era outro indicativo de problema grave, pois iria começar a escurecer lá no Canal da Lagoa dos Patos, distante demais da praia do Laranjal! Não havia mais nenhum sinal de presença humana naquelas águas, nem uma lancha, nem um pequeno barco que fosse, absolutamente nada mais além da pronúncia fervorosa de um Pai Nosso. Era preciso olhar para o céu em busca de forças, e também era preciso continuar a nadar, pois nenhum desespero duraria para sempre.

    E sabiam, ao sabor daquelas ondas, jogados à própria sorte, e já bem distantes uns dos outros, que era necessário conviver - naquele transe - com a fúria das águas, mais o pavor daqueles trinta metros lá embaixo, aqueles silêncios todos numa antevisão gelada da noite que se aproximava impiedosa e implacável. Pois em meio ao terror e aos medos que cresciam numa escala geométrica e devastadora, ainda havia aquele algo a mais, o corpo congelando, o que apenas ele percebia - ele - Válter, 50 anos, um dos três náufragos, agora completamente sozinho lá no alto daquela onda e quase em estado de hipotermia.

    Gritaram, e muito, por socorro, mas perceberam que as suas vozes estavam sendo abafadas pelo barulho das ondas! O que seria deles durante a noite fechada que se avizinhava? Setembro estava indo embora e os levaria consigo, e os retiraria da vida num tempo de primavera! Maldita pescaria, pensaram eles, lá em seus espaços de agonia. O que não fariam agora para encontrar aquele chão firme, lá longe, lá na beira daquela praia tão distante?
    Fariam qualquer coisa, sendo que a primeira destas coisas já atendia pelo nome de esperança. Era preciso acreditar!

    E de repente, não mais que de repente, vozes, um pequeno barco de pesca, uma luz, algumas vozes jovens, uma doce expectativa, uma prece forte rezada em voz alta, e aqueles sinais de Deus! E então, aquela mão divina que ajuda, numa hora sagrada, os retirou cuidadosamente daquelas águas, ( Clóvis pesava 120 quilos!), e os devolveu à vida!

    Aquele pequeno barco que os trouxe ao chão firme da praia do Laranjal, e anonimamente, desapareceria instantes depois naquela noite fria de pescaria e de sobrevivência, sem que ao menos Válter, Marcos e Clóvis tivessem alguma ideia sobre o gesto solidário de seus dois salvadores. Tão importante quanto ajudar, é saber a hora de se afastar e deixar o outro caminhar em busca de seu próprio destino.

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    Fonte: Clayton Rocha

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    Comentários (1)

    feito em 27/11/2016 19:43:16

    Olá, Clayton Rocha
    A Lagoa dos Patos é um lugar único no mundo e muito perigoso. Existem alguns estudos sobre as condições de navegação por lá. Entretanto, nunca soube que estes estudos tenham sido lidos em qualquer escola, nem por curiosidade. É bom conhecer para poder apreciar sem riscos.
    Grande Abraço
    Heloisa Beatriz (com saudade do RS).

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