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    Opiniões

    Jogue como um Fusca

    Relato de Nauro Júnior e Caio Passos – Expedição Fuscamérica.

    Publicado 08/07

    Ontem o dia estava realmente estranho em Kasan. Acordamos na casa dos nossos anfitriões russos Nafis e Albina. Colocamos o material em dia, baterias carregadas, e partimos em direção ao hotel da seleção, onde o Luiz Vagner nos presentearia com dois ingressos para o jogo. A chegada do Fusca como sempre, chamou a atenção. Logo um russo chamado Slava, apareceu com um Lada 67 que na traseira carregava um lada-reboque, algo como “separados na maternidade”.

    Na sequência apareceram os integrantes dos Beetle Club de Kazan com alguns presentes, reiterando o carinho desse povo. Uma estranha sensação nos fazia ter mais vontade de ficar com eles, do que ir para o jogo. Subimos a imensa Arena Kazan, em tempo de cantar o hino brasileiro. Com uma dose de patriotismo que muitas vezes nos falta quando estamos em casa. Nesse instante a coisa já começou a ficar embaraçosa. Fizemos o tradicional “selfie da sorte” e a internet caiu no estádio. Tentávamos publicar a foto, mas não entrava. Até que na mesma hora em que a foto publica, a bola escapa das mãos de Alisson. Era fogo amigo de Fernandinho, que talvez por falta de conexão, conseguia fazer o primeiro gol da partida. A Bélgica, que já jogava muito melhor, cresceu, e não tardou em fazer o segundo. Uma agonia tomava conta do estádio porque perdíamos de 2X0 e a Bélgica jogava muito melhor.

    Tite, que ignorou a procuração de sua mãe que levamos , se mantinha apático como o Felipão do 7X1. Neymar passava longe do craque que é vendido a peso de ouro nas negociações européias. Douglas Costa e Renato Augusto entraram no segundo tempo, e tentaram salvar a nossa dignidade. Jogaram como quem anda de Fusca, se superando e enfrentando os obstáculos reais que a vida apresentava. Em todos os jogos que assistimos o Brasil fez o segundo gol. E foi Renato Augusto que cumpriu o riscado na tarde fatídica.

    Bélgica, de onde surgiram aqueles gigantes? Que tradição eles têm? Não sei, mas o que vimos foi um trabalho coletivo.  Assim como a Expedição Fuscamérica, eles foram uma equipe. Assim como a Expedição Fuscamérica, eles chegaram no tempo certo. Assim como a Expedição Fuscamérica, eles estavam lá enquanto alguns duvidavam. E quem os conhecia, apostava neles!

    Neymar jogou como quem anda em uma Ferrari. No primeiro problema acionou o seguro e pediu pra alguém resolver. Menino Ney deveria, como experiência de vida, comprar um Fusca. Faria bem para sua humildade, para seu planejamento de vida, e até mesmo pra saber que as belezas da vida habitam a simplicidade.  Fernandinho, como um Maveric v8, gastava mais energia do que andava. O juiz apitou o final do jogo e as camisas amarelas que cobriam torcedores empolgados secaram lágrimas. Os jogadores se isolaram, pensaram na “sua dor”. Não entenderam o sofrimento que causaram. Em um país dividido, eles eram a unidade.

    Nós estávamos prontos para sair ontem a noite rumo a St. Petesburgo e rodar 1.500 quilômetros, mas acabamos ficando meio perdidos por Kazan. Queríamos uma seleção latino-americana na final do mundial. Mas aqui só sobraram as europeias, de sul-americanos só a gente.

    Depois de uma tentativa de superação da torcida brasileira em frente ao estádio, fomos buscar o Segundinho no estacionamento. Chegando lá, o Slava nos apresentou alguns amantes de carros antigos, que faziam uma verdadeira festa na volta do nosso Fusca. Pegaríamos a estrada a noite, mas meio sem rumo fomos deixando o tempo passar. Quando vimos, estávamos na casa deles, jantando. Dormimos por umas 3 horas e acordamos com um café servido, e a gentileza desse povo. Nos despedimos e fomos até o hotel onde a seleção brasileira dormia sua última noite na Rússia. Olhando para fachada, nos demos conta que por ironia do destino o hotel se chama “Mirage”.

    Por aqui seguimos desbravando as entranhas desta Rússia que nos tratou tão bem. Vamos cumprir a nossa meta de chegar de Fusca até Moscou para a final da Copa do Mundo. Seguimos com a simplicidade que cada passo da vida deve ter. Sendo um Fusca, com todas as dificuldades e prazeres que ele tem!

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