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Clayton Rocha - Trajetória

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    Grande Hotel

    Lembro de tantas cousas, tantas que elas se misturam na minha saudade. Uma delas, tem conotação especial. O Grande Hotel.

    Publicado 05/01

    Já disse muitas vezes, outras tantas terei escrito e ainda por certo votarei a dizer: EU SOU O DONO DO MUNDO, do meu mundo, pois sem mim ele não existe. Nesse sentido, todos somos donos dos nossos mundos. Por isso, é muito difícil, ou mesmo impossível, alguém falar sobre algo sem que seja inspirado, em primeiro lugar, por si mesmo, por suas idiossincrasias, por suas sensações, por seus sentimentos, a menos que fiquemos a repetir o que os outros dizem. E ainda assim, não conseguiremos afastar-nos , absolutamente, de nós mesmos.

    Somerset Maughan disse, em seu notável pequeno livro CONFISSÕES, que tudo o que ele havia escrito estava impregnado de autobiografia.

    Nem por longe pensem que estou me comparando a um dos melhores escritores do século passado, apenas tomo como exemplo a autoridade de quem foi mestre na Literatura.

    O Mestre Schlee brinca comigo dizendo que sou um escritor bisexto. Bem, então este é o ano em que devo enfrentar, mais seguidamente, os pacientes leitores das minhas manifestações.

    Venho da Pelotas da primeira metade do século passado, quando não passávamos de 20 ou 30 mil habitantes, e as ruas, ah! as ruas. Eram calçadas com pedras, em sua grande maioria, irregulares. “Oh que saudade que tenho; Da aurora da minha vida; Da minha infância querida; Que os anos não trazem mais”.

    Aqui dei meus primeiros passos e me fiz gente. E começamos juntos, então, eu e Pelotas, uma caminhada que vai longa. Só uma cousa me incomoda. Ela está cada vez mais linda, rejuvenesce e assume ares de metrópole e até já é Arquidiocese. E eu? Eu queria ser como ela, eu queria também estar rejuvenescendo, pois afinal o tempo não passa para todos e para tudo...?

    Mas eu, como igualmente já disse, sou um homem do meu tempo. Aqui estou, ainda, e com a cabeça a mil, esperando os 200 anos da minha terra querida.

    Lembro de tantas cousas, tantas que elas se misturam na minha saudade.
    Uma delas, tem conotação especial.
    O Grande Hotel.

    O Grande Hotel era propriedade, lá na minha pré-adolescência, do Sr. João Zabaletta e de sua esposa D. Eloá, pais de uma grande amiga – Edelma Zabaleta – que apesar do tempo e da distância ainda guardo como uma pessoa especial.

    Pois bem, eles moravam no Grande Hotel e ali, minha turma, que chamávamos “Turma da Praça”, sobre quem já escrevi, reunia-se quase diariamente. Fazíamos do “hall”, com aquele “vitraux” maravilhoso no teto, o ponto de nossos encontros, onde nasciam e morriam amores eternos. Era o tempo das brincadeiras, onde íamos dançar após a “matinée” do Capitólio. Algumas vezes a reunião era no bar que dá vista para a Praça Ceoronel Pedro Osório, onde mais tarde funcionou a “boite” Charmaine e onde dancei com a menina Elis Regina, que começava sua extraordinária carreira. As meninas sempre acompanhadas por irmãs mais velhas ou pela mãe. Ah! como era bom! Como falar sobre isso sem umedecer os olhos? São “impertinências de velho”.

    Mas, além da influência que aquele prédio maravilhoso, construído em estilo eclético, com sacadas lindas, teve sobre mim, meus amigos e amigas, ele foi marcante na história de Pelotas, que ainda se destaca como um pólo de cultura e civilização dos mais importantes, no Brasil.

    Apenas para recordar trago dois episódios, pois o Grande Hotel é riquíssimo em histórias ligadas à cidade: vi, de uma das sacadas, o candidato à presidência da República, em 1950 (eu ainda não votava),  Getúlio Vargas discursar.

    No mesmo lugar ouvi e vi Flores da Cunha fazer um discurso emocionado. Ele era um homem arrebatado e de frases bombásticas, como a que pronunciou na arrancada da Revolução de 30: “ou desta jornada se volta com honra ou não se volta mais”. Não consigo repetir esta frase, talvez pelo amor que tenho ao Rio Grande, sem comover-me.

    Pois bem, vou terminar esta crônica com uma frase que ele pronunciou de uma das sacadas do Grande Hotel: “venceremos esta luta, nem que seja à pata da cavalo”...e saiu a pé, desprotegido de qualquer segurança, pelo meio do povo...

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    Fonte: José Rodrigues Gomes Neto

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    Comentários (5)

    feito em 13/01/2012 09:06:38

    O Professor José R.Gomes Neto é memorialista,com toques poéticos. Siga assim Professor... Quem tem muito a recordar, sejam os bons ou maus momentos,é mais rico internamente.
    Aqui vai um reconhecimento, não obstante nossas divergências políticas: sempre admirei no Professor Gomes a coragem iconoclasta de críticas agudas aos ditos "figurões do direito", em suas aulas.
    Eu, também, tenho boas coisas a lembrar.
    Guedes

    feito em 12/01/2012 17:48:22

    O José Gomes é o cronista do "Pelotas dream" (versão gaudéria do "american dream", sobre o qual - se deixam - ele também se esparrama).
    A crônica é ótima, até mesmo por "cousa" escrita assim. "Cousa de loico"!
    Dá-nos outra, Zé.
    Marasco (o pianista)

    feito em 12/01/2012 11:19:20

    Sou um apaixonado por essa cidade, e lendo uma crônica tão linda e bem escrita como esta falando do passado na minha cidade, fico com a certeza de que desejaria ter vivido neste tempo passado na minha cidade, pois infelismente nos tempos de hoje pessoas mais novas não podem se dar o luxo de viver em Pelotas. Mas por ser um apaixonado e ter meus pais morando na bela Pelotas vou sempre e continuarei indo até quem sabé um dia poder voltar!

    feito em 08/01/2012 18:32:52

    ... e queriam transformar, Dr José, esse HOTEL - palco de tantas passagens históricas e rico em memórias - em tantas outras coisas... Tivemos mais sorte do que juízo! LCV.

    feito em 05/01/2012 12:09:33

    Belo texto! A memória do Grande Hotel te agradece! Pelotas te agradece! Maravilhosa a tua inspiração, meu amigo. Em relação ao Grande Hotel de nossas vidas, também em relação ao dr. Flores. Duvido que haja, em qualquer recanto do Rio Grande, um admirador mais entusiasmado do que eu, e um leitor sempre em busca de passagens marcantes da vida deste Grande chamado José Antonio Flores da Cunha. Clayton.

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