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    Da redação

    Família acolhedora: programa completa dois anos em Pelotas

    Publicado 01/04

    Há dois anos, Pelotas passou a contar com um novo programa, cujo objetivo é melhorar a convivência de menores sob a tutela do Estado e oportunizar uma vida saudável, fora dos abrigos. Na última sexta-feira, o Família Acolhedora completou essa marca, tendo envolvido 79 crianças e adolescentes, além de dezenas de interessados em proteger e cuidar de quem, ainda tão jovem, já vivenciou muito.

    No município, a iniciativa foi viabilizada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social (SAS), em parceria com o Juizado da Infância e Juventude, o Ministério Público e o Conselho Tutelar. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) II é o endereço do programa, no qual os acolhedores passam por avaliações feitas pela equipe multidisciplinar – assistentes sociais, psicólogas, pedagogas – e os interessados são recebidos a fim de integrar a corrente do bem, repassando todas as principais informações.

    Atualmente, 21 responsáveis cuidam de 35 crianças e adolescentes em ambientes familiares, com acompanhamento do Poder Público. Dos quase 80 atendidos, 18 foram adotados por novas famílias; 14 reintegrados ao convívio com mães, pais ou parentes próximos; e dez precisaram ser reabrigados.

    Estes últimos casos, conforme a coordenadora do Família Acolhedora, Mariângela Sposito, referem-se a jovens que não conseguiram se adaptar a um ambiente com regras e vínculos próprios, diferente dos abrigos institucionais com os quais estavam acostumados. Por fim, nestes dois anos, um menino e uma menina atingiram a maioridade e foram desligados do programa, mas continuam tendo os acolhedores como referências, seja na procura por emprego, educação superior e até mesmo lar.

    “É um programa muito bonito que a gente implantou, com resultados muito bons. Permitimos que a criança tenha uma vida familiar com pessoas que depois, quando ela é adotada, por exemplo, viram os padrinhos; criam vínculos com essa criança pelo resto da vida”, comentou a prefeita Paula Mascarenhas.

    CUIDADO INDIVIDUAL E AFETO

    Numa casa simples, na Vila Castilho, amor é substantivo que se multiplica. Brinquedos e bicicletas coloridos mostram que ali vivem crianças; três meninas, de 15 e 4 anos, e uma bebê de 6 meses, cuidadas com muito carinho pela assistente social Adriane de Campos Porto e o companheiro Romário.

    Adriane, 49 anos e mãe de duas jovens, conta que sempre cogitou o apadrinhamento como forma de ajudar pessoas que viviam em abrigos, mas, ao saber da existência do Família Acolhedora, decidiu apostar na novidade. Ela integra a iniciativa desde novembro de 2017, quando acolheu K., a mais velha das meninas, que vive com ela até hoje.

    Depois de K., vieram mais quatro crianças, em diferentes períodos e de diversas idades. A “tia”, como é chamada, mantém contato com todos que já passaram pela sua casa e, inclusive, se tornou madrinha de um menino.

    “É a melhor coisa que me aconteceu. Não me imagino mais sem as crianças, sem ter a casa cheia e escutar os risos. É um companheirismo; a gente ensina e aprende com eles”, afirma.

    Outra região que abraçou a ideia foi o Monte Bonito, 9º distrito de Pelotas. Ali estão cinco dos 21 acolhedores, entre eles Maria Helena Gomes, 49 anos. A dona de casa soube do Família Acolhedora pelo irmão, que já participava, e agora abriga dois menores.

    Em meio ao ambiente diferenciado da colônia e à proximidade com a natureza, eles têm espaço para correr e brincar ao ar livre, sob olhares atentos e zelosos. Parte do programa há cinco meses, Maria conta que ela e o marido já não conseguem mais, sequer, supor uma vida longe deles. Com um filho casado, o Família Acolhedora foi a maneira que encontraram para voltar a preencher o lar com a alegria abundante da infância.

    RESPONSABILIDADE

    A família de acolhimento tem a função de representar a continuidade da convivência em um núcleo familiar, estimulando a sociabilidade e o cuidado. O perfil dos participantes é diverso: mulheres solteiras, casais com filhos ou idosos.

    A responsabilidade também recai sobre diferentes aspectos da vida das crianças e adolescentes. Alimentação, educação, consultas médicas, lazer e outras atividades podem e devem ser proporcionadas. Em acréscimo, faz a conexão entre os menores com a família biológica – quando há a possibilidade de reintegração –, por meio de encontros semanais, supervisionados por profissionais da Prefeitura.

    “Não tem como comparar com o serviço dos abrigos. É um cuidado individualizado, com convivência diária e incentivo à autonomia. A família, como instituição, proporciona oportunidades diferentes”, avalia a coordenadora Mariângela Sposito.

    Para além disso, viagens, festas de aniversário e cursos de capacitação são algumas das atividades proporcionadas às crianças e aos adolescentes em vulnerabilidade. Essa “rede do bem” conecta as Famílias Acolhedoras entre si, bem como com as biológicas e os profissionais da assistência social e judiciário, num ciclo virtuoso.

    Conforme a prefeita Paula, essa, justamente, é a finalidade principal. “Na verdade, quanto mais vínculos a criança tiver, mais afeto terá e mais preparada vai estar para ser um adulto equilibrado e feliz. Esse é o objetivo do programa”, destacou.

    COMO PARTICIPAR?

    A Família Acolhedora abriga, por um período de até dois anos – passível de renovação semestral –, crianças, adolescentes ou grupos de irmãos em situação de risco. A guarda dispõe de caráter provisório e a manutenção está vinculada à permanência no programa.

    Os responsáveis recebem um salário-mínimo por mês, por criança acolhida, e os critérios de participação incluem idade superior a 21 anos, idoneidade moral, não possuir membros da família que façam uso de drogas, não ter intenção de adotar, e residir em Pelotas. O cadastro e entrevista inicial dos interessados ocorrem no Creas II, na rua Doutor Cassiano, 152. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo telefone (53) 3278-0572.

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