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Clayton Rocha - Trajetória

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    E o tempo passa ou burguesia do tempo

    Vivemos, simplesmente vivemos, com a ideia vaga de que nada termina e que, ao final, realizaremos nossos sonhos; depois, vem a terceira fase, quando voltamos a pensar no tempo.

    Publicado 29/05

    (Escrevi esta crônica há bastante tempo, antes mesmo de que o Veríssimo tivesse abordado o tema em um texto que o Amexa(sic) me enviou, por certo em razão de nossas conversas “filosóficas”...).

    Seria um sacrilégio eu dizer que o Veríssimo me roubou uma crônica (até porque ela foi publicada entes da minha), apenas porque ele escreveu sobre uma questão que tem sido objeto de minha atenção, desde sempre.
    Não, claro que não.

    Também não o estou copiando.

    Faz anos que este assunto me persegue. Há muito que digo aos meus amigos que o transcurso da vida – nada mais do que pelo andar do tempo – acaba sendo angustiante.

    E por quê?

    Pelo simplíssimo motivos de que ao longo desta corrida, na medida em que os anos passem, vamos deixando ficar, pelo caminho, inúmeras oportunidades, as quais, nas mais das vezes, nem chegamos a perceber.

    Ao nascer, nossas possibilidades são infinitas. Poderemos ir a ser tudo: campeão olímpico, talvez um notável cientista, quem sabe um extraordinário homem de letras ou um inventor, enfim, até mesmo Papa.

    Mas o curioso é que, em nossa juventude, pensamos no tempo, que nos parece infinito e temos a errada sensação de que ele não está correndo. Quantas vezes imaginamos fazer algo e logo adiante adiamos a iniciativa: não, dizemos para os mesmos, agora não, o tempo não me faltará, vou pensar nisto mais tarde.

    Tal condição nos acompanha até o final da adolescência, e ainda um pouco mais.

    Nessa época, achamos que temos tempo para tudo, quer dizer, estão abertos, à nossa frente, uma infinidade de caminhos.

    Daí passamos – anotem e ao esqueçam –para um segundo estágio. É quando concluímos os estudos e entramos no mercado de trabalho e constituímos família.

    Observem, aqueles que estão vivenciando esta fase da vida: ele não nos preocupa.
    Vivemos, simplesmente vivemos, envolvidos por inúmeras circunstâncias, cheios de problemas, de planos, com a ideia vaga de que nada termina, tudo é eterno e que, ao final, realizaremos nossos sonhos.
    A esse momento enganoso da vida Gilberto Freire chamou do “burguesia do tempo”.

    Tive a ventura de ouvi-lo discorrer sobre isso.

    Bem, e depois?

    Depois, vem a terceira fase, quando voltamos a pensar no tempo. Agora, fazemos um balanço e percebemos que não há quase caminhos a serem trilhados, as possibilidades minguaram, o tempo ficou curto, já não dá para quase mais nada.

    Na verdade, não estou plagiando o Veríssimo, ele somente despertou, em mim, a vontade de trazer à luz este assunto – que sempre rondou meus pensamentos e cuja crônica estava guardada em uma gaveta – quando declarou que, por cauda da idade, não poderia mais ser Papa.

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

    Fonte: José Rodrigues Gomes Neto

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    Comentários (2)

    feito em 03/06/2013 13:57:31

    TEMPO.
    Não há tempo.
    Mas ,pensamento.
    Pensamos o tempo , sempre a destempo.
    O que é já foi , o que será não é .
    A vida evolve célere, entre ponteiros imaginários.
    Um dia cessa.
    O tempo que não é transforma-se , então, em infinito impensável.
    Guedes.

    feito em 03/06/2013 13:50:53

    Respondo a elegante crônica do Prof.José R. G. Neto, com meu poema Solilóquio.

    Solilóquio
    Pois é, amigo...
    Chegamos ao fim; não se vislumbram horizontes.
    Incertezas do dia nascente: medida do futuro.
    Exauridas as fontes, ambições, esperanças.

    Pouco guardamos da longa romagem.
    Alguns poemas escritos ,idéias loucas,desatinos, ternuras,amores. Ódios esvaneceram; ideologias em desande.
    Morte : próximo passo, derradeiro encontro.

    Eternidade passageira: breve nas relembranças familiares.
    Logo , nada subsiste; nenhum traço da presença,; nome esquecido.

    Pode que alguém querido,ainda sorria discreto às nossas brejeirices.
    Ou por acaso, acidentalmente, exume algo dos poemas.

    Mas, amigo, ainda estamos vivos !
    Envelhecemos , por certo, e muito...
    O que temos pela frente?
    Nada e tudo ao mesmo tempo...

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