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    Dama da Noite

    Ali, naquele jardim, dei meus primeiros passos, no meio dos canteiros com rosas e cravos, cujos perfumes se misturavam com o da dama da noite.

    Publicado 23/05

    Sobre o portão da casa em que morava minha família, estendia-se uma dama da noite.

    Suas ramas alcançavam e se enroscavam nas janelas da frente do “bungalow”, exatamente onde estava o quarto da minha mãe e onde nasci na madrugada do primeiro dia de inverno, há boas décadas passadas, assistido pelo Dr. José Brusque Filho.

    Assim, minha mãe e ela me conheceram no mesmo dia.

    Ali, naquele jardim, dei meus primeiros passos, no meio dos canteiros com rosas e cravos, cujos perfumes se misturavam com o da dama da noite. Esta tem uma particularidade interessante: só é ativa à noite, daí sua denominação. Durante o dia, embora guarde a beleza de suas folhagens e mesmo as pequeninas flores, não exala perfume. Há quem diga que quando sua ação é muito forte, somos acometidos de dor de cabeça.

    Que injustiça! Como aquela planta, tão doce, delicada e leve poderia causar algum tipo de mal?

    Quanto fiquei sob ela conversando com as alunas, muitas delas internas, do Santa Margarida, de quem éramos vizinhos, até altas madrugadas?

    Jamais sentimos qualquer desconforto; ao contrário, ficávamos embevecidos e comentávamos como era agradável a sensação que ela nos trazia.
    O tempo faz com que as cousas terminem, inclusive, lamentavelmente, aquelas de que gostamos. Tudo, mais hoje, mais amanhã, tem fim.

    Mas antes, elas envelhecem, e comigo não aconteceu diferente.

    Estou aqui, idoso, a desencavar episódios da minha vida. Não que isso interesse aos outros, mas apenas para salientar esta circunstância inelutável: o tempo passa e passa rápido.

    Antes de aposentar-me na Faculdade de Direito, em 1993, eu curtia espiar, da esquina, o portão da casa, que ficava no meu trajeto. Saía dali, impregnado de saudade e cheio de recordação.

    Tenho vontade, até, de citar o nome das minhas companheiras, todas lindas, pelo menos como me lembro delas, quando nos reuníamos, então. Claro, não farei, muitas nem sei onde estão...

    Quantos amores nasceram ali, para sempre...

    Há alguns dias passei por lá para rever o cenário que me guardava na infância e na adolescência.

    Mas eu queria ver era a dama da noite.

    Ela já não estava mais, por certo sucumbiu à passagem do tempo.

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

    Fonte: José Gomes Neto

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    Comentários (1)

    feito em 23/05/2012 20:12:10

    Repito o que te disse ao vivo: crônica carregada de verdadeira emoção. (Será que também estou ficando idoso, comovendo-me com recordações tão sentidas?)
    Um abraço do Marasco

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