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    Corrupção, a Megera Indomada

    A corrupção no Brasil sempre foi atuante, desde os tempos da colônia, está afastada do controle da Corte Portuguesa.

    Publicado 13/11

    A imprensa e redes sociais expõem às pessoas, com estridor, o cenário da corrupção no Brasil.

    Os mais jovens crêem que a espécie seja novidade e chaga recente, manchando a vida nacional.

    A corrupção no Brasil sempre foi atuante, desde os tempos da colônia, esta afastada do controle da Corte Portuguesa. Costuma-se fazer comparações com países que gozam de idoneidade e baixos índices de corrupção, segundo órgãos internacionais avaliadores.

    Lembram a Escandinávia,Finlândia, Alemanha , Inglaterra, o USA  e quejandos.

    De fato,as devastações da guerra européias,no sec. XX, fizeram com que as populações agudizassem o senso de bem comum e aumentassem o controle sobre Instituições públicas e atividade política.  Oportuno lembrar: os países prósperos do ocidente,antes denominados de 1º mundo,enricaram explorando desmedidamente, inumana e corruptamente  os povos da periferia. A História da colonização,a partir  do sec. XVI atesta o afirmado. O povo tem sabedoria, ao criar o anexim: Gatos gordos sempre são os mais éticos.

    Hoje,sofrendo a vigilância das respectivas populações ,empresas multinacionais de alguns dos países mencionados,exportam a corrupção, exercendo-a ativa e passivamente nos países emergentes e em desenvolvimento. No Brasil, é o caso noticiado do imbróglio das licitações do metrô de São Paulo, envolvendo empresa alemã,que denunciou a existência de cartéis.

    No plano das relações internacionais,onde as nações se enfrentam econômica e ideologicamente, vigora a tese das “ Razões de Estado”, lembrando Machiavel : um verdadeiro vale tudo.

    Bancos internacionais e empresas transnacionais submetidos a rígidos controles nos países de origem,banham-se em lucros estratosféricos,benefícios e vantagens inimagináveis,com suas filiais em países empobrecidos.Trata-se do exercício da teoria econômica do capitalismo?

    Não, exatamente, mas da prática corrosiva do capitalismo,na aposta da maximização de lucros e busca do domínio do poder político,custe o que custar, nas nações desprotegidas.

    Se atentarmos para uma das vertentes ético religiosa do capitalismo( Max Weber,Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo),vamos nos deparar com bons propósitos, bem distantes da prática  asquerosa.

    O capitalismo,na práxis de exploração desmedida,engendrou outros monstrengos: o imperialismo,ainda atuante,a contemporânea globalização da economia e o incentivo ao consumismo exacerbado,exaurindo o bolso do consumidor,criando bens,muitos deles, absolutamente dispensáveis. Além disso,constrói bolsões de desempregados,para aviltar salários, infundir a submissão e o medo/terror do desemprego.

    O que envolve tudo isso é o poder...

    Oportuno referir a conhecidíssima expressão de lord Dalberg Acton (1834-1902) ,politólogo inglês e Regius Professor da Universidade de Cambridge : O poder tende a corromper,o poder absoluto corrompe,absolutamente.

    A corrupção vem associada ao poder... Os exemplos históricos são marcantes.

    Quando examinamos os absolutismos tanto da fonte socialista /comunista,quanto da  direita reacionária,damo-nos conta da intensidade da corrupção. Fixemo-nos em referenciais contemporâneos, à guisa de exemplos: Stalin ( 1879-1953), que levou a URSS à vitória na 2ª. Guerra Mundial, criou um sistema político crudelíssimo e absolutamente corrupto; Hitler ( 1899-1945), Mussolini ( 1883-1945),da mesma forma. Pontua-se as ditaduras latino americanas,em especial,como exemplo,a de Rafael Trugillo (1891-1961),da Republica Dominicana,regime cruel  tão bem descrito na Obra de  Vargas llosa ( 1936-), La fieste Del Chibo (1968).  A historicidade a respeito é imensa...

    Induvidosamente a conquista de cargos públicos/políticos e mesmo a conservação das estruturas diretivas das grandes empresas privadas,com os altos ganhos e vantagens  de seus dirigentes levam a comportamentos anti éticos e conflagram disputas cruéis.

    Mas, não é possível esquecer a natureza humana. Se de um lado as pessoas são capazes de atos de grandeza e solidariedade, por outro lado, muitas aviltam, mentem, enganam e se aproveitam de situações que melhor atendam seus interesses individuais, atuando propinas,servindo-se de apadrinhamentos : o velho e decantado paradoxo , anjos e demônios. Lembra o anexim : A ocasião faz o ladrão. Machado de Assis ( 1839-1908) completa : A ocasião faz o ladrão, mas o ladrão vem pronto.

    É possível erradicar a corrupção ?  Não, não é possível, evitemos a ingenuidade. Ela é megera indomada...

    É possível amenizá-la e combatê-la. Sim , é de todo possível.

    No estamento do Poder Público,o caminho aponta para Justiça das Instituições, que envolve, obviamente,o repúdio a atuações corruptivas . No Brasil , de hoje, a ascensão a cargos públicos se dá através de concurso e progressão meritocrática. Há cargos diretivos indicados politicamente. Quanto aos dirigentes políticos das Instituições,indicados,melhor sejam escolhidos  por características pessoais de idoneidade, que por acertos partidários;melhor que  se caracterizem por um certo puritanismo,no trato do bens públicos,relevando-se, mesmo,razoável  insuficiência de preparo. Mais vale quem interioriza comandos éticos e consciência da intangibilidade das riquezas públicas,em benefício próprio ou de sigla partidária ,que os experts bacharelescos , com “ jogo de cintura”, sinuosos e clientelistas.

    Utopia ou utopia possível ?...É preciso ousar,desvendar novos caminhos.

    Há dois exemplos históricos de intento sérios de erradicação da corrupção pública, um remoto, outro mais recente.   Oliver Cromwell( 1599- 1658) , Lord Protector da Inglaterra, imprimiu  tal seriedade à atividade pública,que elevou à sacramento a preservação dos bens da nação.

    Entre seus servidores,os cabeças redondas,puritanos e austeros , corrupção: nem pensar !...

    Kemal  Atatürk (1881-1938) o fautor da Turquia Moderna(tenentismo turco), derrotando o Regime Doente do último Sultão Otomano,altamente corrupto e  autoritário.

    A transparência ética das instituições pode espraiar exemplo e orientar condutas da população. A corrupção no seio das instituições públicas,propicia o pior dos contágios : o contágio hierárquico. O cidadão comum questiona-se: se os de cima usufruem ilegalmente da coisa público, por que eu me verei obrigado a um comportamento correto?

    No Brasil, constata-se enorme descrédito, quanto ao Poder Legislativo e não só a este.

    A imprensa noticia atos escabrosos de corrupção,da parte de  legisladores e partidos.

    A população fica estarrecida com as malversações  das empresas e órgão públicos.

    Esse clima de desencantamento e descrédito pode ter conseqüências gravosas,qual seja, a revolução pacífica com o clamor das ruas, aparentemente o único meio de alterar a situação.Não será mais a intelligentsia,composta por eruditos,sociólogos e antropólogos esclarecidos , que se  fará ouvir,mas a intelligentsia  das massas, com o reforço das redes sociais. Significativas as manifestações populares , em 2013...

    O combate à corrupção,diz o bom senso popular,começa  pela casa: a educação dos filhos, o exemplo correto dos pais. Todo um entorno que educa no sentido da convivência conservadora dos valores positivos da sociedade e conscientização. Ingente tarefa que se atribui aos pais de boa vontade e aos autênticos educadores.

    Os caminhos parecem traçados: combate à corrupção e abrandamento,através das Instituições,sob guarda e controle do Estado e educação. Pode que em menos de uma gerações seja alcançado tal objetivo.Pode que sejam editadas leis mais severas,tendendo a punir os crimes  de corrupção. Contudo,leis não faltam ao país, o rigoroso cumprimento delas,a expectativa ...

    O desânimo,entretanto,impera. As pessoa , em geral, descrêem  na efetividade dos comandos jurídicos.  Se  esses caminhos e medidas não forem encetadas,desde agora, ocorrendo novos descalabros de corrupção,por certo, falará a voz das ruas  e as conseqüência serão, obviamente,imprevisíveis. A Megera Indomada pode,ao menos,ser razoavelmente domesticada. Questiona-se, mais uma vez: utopia ou utopia possível?

    Leia mais sobre: Artigos, Francisco de Paula Bermudez Guedes

    Fonte: Francisco de Paula Bermúdez Guedes

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    Comentários (1)

    feito em 18/11/2014 21:53:15

    Lembro-te, meu bom Guedes, que a corrupção existe, também, nas organizações privadas. Se o funcionário de uma empresa pedir uma nota de despesa em um restaurante, normalmente ouvirá do atendente: "com o valor real ou com um valor a mais?". Os encarregados de compras, então, "negociam" os itens a serem adquiridos em função de "presentes" que possam vir a receber... Há muito mais a lembrar, certamente. Como disse em artigo que escrevi, a corrupção nas instituições públicas reflete, sim, a pouca seriedade existente na sociedade brasileira. As razões são muitas, como o bom Guedes certamente sabe. Mas elas não podem ficar reduzidas à velha denúncia da injustiça que se abate sobre os menos aquinhoados. Há muito mais do que isto.

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