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Clayton Rocha - Trajetória

    Da redação

    Caso Cláudia Hartleben: três anos e nenhum indiciado

    Publicado 09/04

    Quando saiu da casa de uma amiga, na noite de 9 de abril de 2015, Cláudia Hartleben dirigia-se para sua casa, na avenida Fernando Osório, esperando que aquela fosse uma noite como todas as outras.

    Com reunião marcada na UFPel na manhã seguinte, a professora tinha em mente diversas outras questões familiares, as quais necessitavam de sua atenção. Era seu costume tomar a frente em assuntos nos quais se envolvia e resolvê-los simultaneamente.

    Seus planejamentos, no entanto, não ocorreram. Ela desapareceu inexplicavelmente. De acordo com o Ministério Público (MP), não existem dúvidas de que a professora esteve em casa naquela noite. Depois disso, nunca mais foi vista. Na residência estava somente o seu filho, o qual alegou estar dormindo e não ter ouvido a mãe chegar.

    Incontáveis diligências foram executadas pela equipe policial. Ocorreram buscas e perícias, depoimentos foram colhidos e pistas seguidas, mas até hoje, três anos depois, nada de concreto foi encontrado, que pudesse indicar o seu destino.

    No entanto, diversos fatores encontrados durante a investigação fizeram com que o MP chegasse à conclusão de que Cláudia teria sido vítima de um crime cometido por pessoas próximas a ela.

    Seu filho, João Félix Hartleben Fernandes, e seu ex-marido, João Morato Fernandes, foram denunciados pelo MP por homicídio qualificado, feminicídio e ocultação de cadáver, mas o juiz responsável pelo caso entendeu não existirem provas suficientes para a denúncia e a rejeitou.

    O promotor José Olavo Passos recorreu, então, ao Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS), que também não acatou o recurso. Desde então, as investigações foram retomadas, em busca de alguma nova informação que possa comprovar a materialidade do crime (já que seu corpo nunca foi encontrado) e a autoria do mesmo. Assim permanece até hoje.

    Para familiares, amigos, colegas e alunos de Cláudia, a falta de um desfecho para o caso é frustrante e dolorida. Zilá, sua mãe, encontra forças no Espiritismo para carregar o fardo de não ter uma resposta sobre o que aconteceu com a filha. Ela afirma que espera pela “justiça dos homens”, no entanto.

    A vida seguiu e todos que conviviam com a professora precisaram se adaptar à situação, assim como familiares das mais de duas dezenas de pessoas desaparecidas, cujos casos ainda estão sendo investigados na Região Sul do Estado.

    De acordo com o promotor responsável pelo caso, José Olavo Passos, a Promotoria continua acompanhando as investigações policiais e recebendo informações.“Recentemente a polícia ouviu pessoas em Rio Grande e em Piratini” explica ele, salientando que as diligências não cessaram em momento algum, ao longo destes três anos. “Trabalha-se na busca de prova nova. Mais cedo ou mais tarde surgirão informações que levarão ao esclarecimento do caso”, projeta o promotor.

    PERTURBAÇÃO DA TRANQUILIDADE EM 2013

    O ex-marido de Cláudia, João Morato Fernandes, foi condenado por perturbação da tranquilidade, em processo gerado por denúncia feita por ela em 2013.

    Recurso impetrado à época pela defesa de João Morato Fernandes foi negado pela 8ª Câmara Criminal do TJ-RS, que confirmou a condenação e a pena.

    O processo, que inicialmente tramitou no Juizado Especial da Violência Doméstica do Foro de Pelotas, englobava dois delitos: importunação ofensiva ao pudor e perturbação da tranquilidade. No entanto, somente o segundo foi julgado, por ainda não ter prescrito.

    Na ocasião, Cláudia, que já estava separada de Fernandes desde 2009, teve o seio e as nádegas apalpados por ele, dentro do Campus da UFPel, no Capão do Leão, onde lecionava e coordenava o curso de Biotecnologia. A perturbação foi confirmada por duas testemunhas, em audiências realizadas durante o transcorrer do processo.

    ATO

    A comunidade acadêmica da UFPel, familiares e amigos de Cláudia convidam os pelotenses para comparecem ao ato que realizam, hoje, a partir das 13h, em memória de Cláudia, em frente ao Foro local, na avenida Ferreira Viana, 1.134.

    UMA MÃE SEM RESPOSTAS

    Aos 83 anos, viúva e com problemas de saúde, dona Zilá tinha na filha um alicerce, contando com ela em todas as situações cotidianas.

    Hoje, dona Zilá da suporte para o filho e dois netos enquanto precisa lidar com a situação que lhe foi imposta repentinamente. Ela clama por justiça e apesar de dizer que não tem esperança de encontrar o corpo da filha, espera que os culpados sejam punidos.Resignada, em todas as datas marcantes escreve uma carta à Cláudia, baseada na fé que tem no espiritismo, que lhe conforta diante de tal situação.

    MENSAGEM À FILHA
     

    Cláudia, minha filha:

    Três anos. Mil e noventa e cinco dias sem a tua presença e as nossas lágrimas ainda não secaram, a saudade cada dia é maior.

    Quando lemos o Evangelho sentimos tua presença na emoção que nos invade. Não suportamos mais a incerteza da falta de respostas desse crime bárbaro que praticaram contra ti.

    Nossa família foi destruída, pois nos levaram o que tínhamos de mais precioso. Deus há de mostrar às autoridades o caminho a tomar para terminar a impunidade e que a justiça seja feita. O que nos consola é a certeza que a Justiça Divina será feita, pois ela não falha.

    Que Jesus te abençoe e te guarde; e que a Santíssima te cubra com seu sagrado manto.

    Te amamos,

    Mãe

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    Fonte: Marcelo Nascente - DM

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