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    José Rodrigues Gomes Neto

    Bra-Pel

    Volto a escrever sobre Brapéis. Assisti tantos que nem sei quantos. Venci muitos e perdi muitos. Sempre, no entanto, carregado de fortes emoções.

    Publicado 05/03

    Volto a escrever sobre Brapéis. Assisti tantos que nem sei quantos.

    Venci muitos e perdi muitos. Sempre, no entanto, carregado de fortes emoções.

    O raro, na minha trajetória de torcedor, é que nunca fui um apaixonado por futebol. Já disse isso muitas vezes e a prova é que dificilmente assistia jogos em que o áureo-cerúleo não estivesse participando.

    Mas nutri, sempre, uma paixão pelo Pelotas. Acho que herdei do meu pai esse sentimento. Lembro-me, ainda criança, quando íamos ver o Pelotas jogar, com um uniforme lindo, que é o da minha preferência – camiseta azul, com um distintivo bordado no peito – gola branca, calção branco e meia cinza.

    Os jogadores, naquele tempo, entravam em campo correndo, demonstrando disposição na busca da vitória, que era o grande objetivo. Via-se, na forma de saudar a torcida, a determinação de que estavam imbuídos. A alegria das torcidas, e o barulho, funcionavam como um mecanismo de retro alimentação com o jeito deles. Nada dessa entrada de hoje, com os jogadores de mãos dadas, ou em fila indiana, junto com o adversário, ciscunspectos, em um passo que mais parece a chegada de uma orquestra sinfônica ao palco.

    Acompanhei o Pelotas em muitas excursões, especialmente quando os jogos eram oficiais.

    Nos torneios regionais em que participavam os clubes de Bagé e Rio Grande quase sempre estava eu lá, torcendo.

    Em 1951, quando fomos vice-campeões estadual invictos, assisti todos as partidas, desde os da nossa zona até o último, quando empatamos com o Internacional no estádio do Cruzeiro, em Porto Alegre.

    Mas o bom mesmo era Bra-Pel e, para mim, o melhor, era ganhar do Brasil. Aí como dizem os cronistas de hoje é que o “bicho pegava”.

    A cidade parava, não havia outro assunto na semanada que antecedia ao clássico, as previsões que cada lado arriscava chegavam, muitas vezes, ao absurdo.

    No final da tarde, após o jogo, o Café Aquário ficava lotado e todos discutiam o que tinha acontecido em campo.

    O gosto é que nenhum dos lados se conformava e atribuíam a derrota a vários fatores, todos eles, sem aceitar, jamais, a superioridade do outro.

    O juiz havia prejudicado, o goleiro levara um frango, falha do zagueiro, pura sorte do adversário etc. Mas nunca a causa estava na superioridade do oponente.

    A intensa emoção que um Bra-Pel me despertava faz com que eu lembre, cheio de saudade, de ver as duas equipes postadas no campo, naquela postura inicial, e do colorido dos fardamentos que formava um conjunto harmônico.

    Quando o juiz apitava(poderia ser um Osvaldo Rolla) e a bola rolava, o termômetro da emoção, talvez mesmo a ansiedade, se alçava a níveis elevadíssimos.

    E um golo?

    Bem, então as torcidas enlouqueciam.

    A última vez em que assisti foi quando o Flavio Minuano, já nos descontos, empatou o jogo.

    Recordo que naquele dia, naquele momento, meus olhos ficaram embaçados pelas lágrimas que insistiam em aflorar.

    Nunca mais assisti um Bra-Pel porque naquele dia, o meu filho Otávio, com seis anos de idade, levou uma pedrada que o atingiu na clavícula e daí em diante ele não quis mais ir ao estádio.

    Acho que futebol de Pelotas tem como moeda principal o Bra-Pel. Não vejo graça, porque falta emoção, participar de campeonatos com o objetivo de não cair de categoria.

    Por isso quero que o Brasil suba...

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    Fonte: José Gomes Neto

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    Comentários (1)

    feito em 05/03/2012 22:07:49

    Concordo com o José Gomes.
    Acho, porém, que jogar brapéis (e ganhá-los) acaba sendo um consolo para desportistas que torcem por equipes que não chegam às finais dos campeonatos que disputam.
    Mesmo assim, considerando que há dez anos o Brasil não perde para o Pelotas, sinto-me bastante consolado...
    Marasco, o xavante que não se lembra de brapéis perdidos.

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