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Clayton Rocha - Trajetória

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    Auschwitz

    Hoje trago-lhes a crônica que fiz durante o trajeto entre Varsóvia e Auschwitz. Mas preciso explicar como ela, a crônica, foi elaborada.

    Publicado 15/03

    Quase contrariados, colocamos Varsóvia em nosso plano turístico. Isso aconteceu, a mim e ao Alexandre, por influência do Jairo, diria mesmo, insistência. Valeu a pena, valeu demais. Não vou discorrer, aqui, sobre a impressão maravilhosa que tivemos, talvez o faça em outra ocasião.

    Hoje trago-lhes a crônica que fiz durante o trajeto entre Varsóvia e Auschwitz. Mas preciso explicar como ela, a crônica, foi elaborada.

    Aos poucos, na medida em que o automóvel ganhava estrada, fui fazendo anotações, colocando os verbos no presente do indicativo, assim: “O dia está lindo, frio, o amanhecer dá à cidade um ar de alegria, como que a compensá-la pelos momentos de tristeza que já se abateram sobre ela”.

    “Andamos, agora, por uma rodovia excelente, que cruza extensa planície. Surpreendo-me, pois, por ignorância, imaginei que a região fosse montanhosa”.

    “Vemos os campos integralmente cultivados, de milho, principalmente, e surpreendo-me outra vez: há lavouras enormes e não se vê, nunca, uma casa isolada, como é comum na campanha gaúcha.

    De tempos em tempos, aparecem núcleos de construções; poucas, 50 ou 60 prédios, com galpões, residências, etc., que não chegam a constituir cidades, nem vilas mesmo, como as daqui. Conjeturamos a respeito do tipo de vida que levam os camponeses. Imaginamos que trabalham no campo e, na hora do descanso, vêm às suas casas, onde, por certo, vivem no seio familiar e em harmonia com os vizinhos. Parece-nos interessante que assim seja e concluímos que esses hábitos hão de contribuir sobremodo para o sentimento de união, faceta marcante do povo polonês, como eles nos disseram”.

    “E continuamos ganhando estrada. Nem sabemos bem qual a distância até nosso objetivo – Auschwitz”.

    “Acabamos de ver no mapa que ainda faltam 120 km dos 340 a serem percorridos”.

    “De vez em quando, percebo neste momento, ficamos em silêncio: há uma expectativa, evidentemente, diferente, entre nós, pelo que vamos ver. Em mim e no Alexandre não corre o sangue judeu, ao contrário do que acontece com o Jairo. Entretanto, cada um, a seu jeito, leva consigo uma certa ansiedade. Tanto já vimos, em cinema, na literatura, na História, sobre os horrores por que passaram os judeus e quem mais tenha sido arrastado para os campos de concentração que a idéia, já próxima de sua realização, de ver o teatro macabro onde tudo aconteceu, deixa-nos apreensivos”.

    “Afinal, depois de errarmos o caminho mais de uma vez, quem sabe querendo adiar o encontro, chegamos a Auschwitz e Birkenau, que ficam praticamente juntos”

    “Acabamos de entrar”.

    “Estamos agora frente a frente com o palco das terríveis atrocidades perpetradas neste lugar”.

    “Vou parar de escrever e volto a fazê-lo após a visita”.

    Visita terminada.

    Falo agora no passado.

    Durante a visitação aos dois campos não fiz anotação nenhuma. Pensei em contar, depois de andar por aquele sítio maldito, para dar uma idéia da fenomenal intensidade criminosa que inspirou os algozes daquela gente desprotegida, desprotegida de tudo, nada lhes restava, o que ocorreu lá.

    Não pude.

    É comum que as pessoas digam que não têm palavras para expressar-se diante de determinado fato, mas, mesmo assim, arriscam algumas impressões.

    Não é o que farei sobre o que vi. Não tenho palavras, não as conheço, nem sei se existem, próprias para retratar tanta maldade.

    Uma cousa, no entanto, é possível perceber nas marcas sutis, que estão à mostra, deixadas pelas vítimas: a honra e a dignidade dos que foram sacrificados, ficaram intocadas.

    Não é porque alguém seja mais forte e subjugue outrem, pela força, que os verdadeiros valores humanos desapareçam.

    Covardes e desonrados são os bandidos.

    Mas, mando daqui, de onde dificilmente serei ouvido, o que não me impede de fazê-lo, um recado àqueles que têm o poder no mundo: não façam mais isso, não deixem que ocorra de novo.

    Quem esperou, sugerido pelo título, uma narrativa sobre Auschwitz, frustrou-se. Para entender, terá de ir lá.

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

    Fonte: José Gomes Neto

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    Comentários (1)

    feito em 23/03/2012 10:14:32

    O artigo escrito pelo José, retratou bem o sentimento, a expectativa e, após a visita a Auschwitz e a Birkenau, a grande tristeza que nos abateu quando por uma rasgo de tempo e de imaginação, um filme "ao vivo" e "in loco", escancarou-nos a maldade humana. Naquele dia, todos nós três, quando visitávamos o campo de extermínio, mal falávamos e me recordo bem, todos emocionados com o que víamos.A sala de tortura de Mengele, as salas de sapatos, malas, pertences dos mortos desse holocausto, os pavilhões frios dos presos, enfim , a imagem viva da maldade humana. Lembro das minhas lágrimas não contidas ao ver e imaginar os gritos de dores dos meus parentes mais próximos que lá ficaram e de tantos outros sucumbidos naquele lugar. E me permitoo compartilhar com o José quando escreveu "Para entender, terá de ir lá." Obrigado José, pois a memória e as relembranças são as únicas formas de não mais esquecermos o Holocausto. Jairo

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