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    Opiniões

    Assumindo Riscos

    Transgredir uma norma de segurança é assumir riscos e nós, como bons brasileiros, adoramos burlar as leis.

    Publicado 23/05

    Assisti no Fantástico do último domingo, à entrevista com Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, acusado de provocar o incêndio que matou 242 jovens na boate Kiss em Santa Maria na trágica noite de 27 de janeiro. Assisti ao programa e revi pela internet seu depoimento ao repórter da TV Globo, gravado na Penitenciária. Ele estava algemado, frágil e impotente, tentando explicar o inexplicável.

    Nas duas oportunidades, vendo seu olhar sofrido, a voz titubeante, a cabeça baixa, não consegui visualizar  a imagem de um assassino, mas a dor de uma pessoa comum que involuntariamente foi responsável por dar início a um espetáculo dantesco que marcou indelevelmente a história do Rio Grande do Sul e a sua própria história.

    Antes de sair de casa, o vocalista postou na rede social: “Bora mais um show saindo para a boate Kiss até mais”. E saiu para a última apresentação da sua vida, pois o show, juntamente com a vida de tantos meninos, levou também o seu sorriso, sua música e os seus sonhos. Na sua declaração ele diz que nunca mais vai cantar, ou subir num palco. Que se sente como se estivesse com uma faca cravada no peito e não consegue tirar.

    Marcelo de Jesus dos Santos, que curiosamente carrega em seu nome duas palavras tão sagradas, está preso e será julgado pela morte daqueles garotos, sob acusação de dolo eventual, por assumir o risco de matar. Sua intenção era celebrar a vida com suas canções e levar alegria aos freqüentadores da casa noturna. E assim seria, não fossem as fagulhas luminosas do artefato pirotécnico que fugiram ao seu controle e desencadearam um incêndio de proporções inimagináveis.

    O cantor certamente deve ter ouvido aquela frase gasta, tantas vezes repetida na infância e que, apesar da insistência, acabamos ignorando: “Não se deve brincar com fogo”. Mas, apesar de saber que o fogo é perigoso, assumiu o risco, porque, com ele,  nunca havia acontecido um acidente assim, antes. A possibilidade de algo dar errado era remota.

    E assim somos nós, os “certinhos”. Quantas vezes assumimos os riscos pensando que somos, como os personagens de desenho animado, invulneráveis às tragédias? Que conosco não vai dar nada. Enquanto isso, vamos acumulando riscos.

    Quantas vezes dirigimos alcoolizados, ou falando ao celular. Quantas vezes ignoramos as placas de sinalização de trânsito e, se não houver pardal para nos flagrar, trafegamos em alta velocidade? Quantas vezes dirigimos com sono, fizemos ultrapassagens perigosas,  levamos criança no banco da frente?

    E quem jamais soltou fogos de artifício, acendeu a fogueira de São João, ateou fogo na churrasqueira ou na lareira usando álcool ou gasolina? Quantas vezes deixamos escapar gás do fogão, esquecemos da chaleira no fogo, provocamos um curto circuito?

    Transgredir uma norma de segurança é assumir riscos e nós, como bons brasileiros, adoramos burlar as leis. Acreditamos que somos mais competentes até nos erros. Vestimos uma capa de Super herói e pensamos estar invulneráveis. Acidentes só acontecem com os outros. 

    E assim vamos vivendo, de emoção em emoção, assumindo riscos porque não vai dar em nada, até o momento em que os outros somos nós e que nos tornamos algozes e vítimas da nossa própria inconseqüência. O momento em que temos que enfrentar a justiça dos homens por nossos erros e, o que é pior, quando temos que explicar à nossa consciência porque falhamos -  O momento em que  a vida deixa de ser emocionante para ser triste.

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    Fonte: Sandra Miranda

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