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Clayton Rocha - Trajetória

    Opiniões

    Ah, como seria bom

    Ah, como seria estupendo não precisarmos mais de partidos políticos, de sistemas econômicos, de uma moralidade suficiente para o convívio e para a tolerância, de um intento arrebatador por outro mundo!

    Publicado 26/05

    Talvez nunca haja alguma misericórdia nesses fossos do mundo onde nosso existir – oh, tão mísera existência temos! – se encontra com a humilde ideia da dignidade, produzindo em nós a febre da busca por um porvir improvável. Esse deslocamento, essa elementar travessia, onde abandonaríamos nossa condição sobre a Terra e atingiríamos o estatuto de sermos animais melhores, esse desejo de desacoplamento, essa fuga do que somos, essas aspirações de alegria e futuro com o “outro nós”! Ah, como seria estupendo não precisarmos mais de partidos políticos, de sistemas econômicos, de uma moralidade suficiente para o convívio e para a tolerância, de um intento arrebatador por outro mundo!

    Estaríamos já satisfeitos por aqui, felizes por aqui, uma vida de Francisco e um amor de Jesus, uma elevação de Ghandi e uma paixão dos amantes irrestritos, uma sexualidade de Don Juan e um lado libertino de Donatien de Sade, um humanismo imenso como o de Mandela e uma inventividade sem término de Saramago!

    Como seria bom ver-nos nascer um olhar beatificado e integral sobre todas as coisas, e nele estivessem todas as condições para a tudo aceitarmos com encanto, a tudo fazermos com encanto, por tudo morrermos com encanto.
    Ah, como tudo isso seria mesmo bom!

    Bom para o pequeno prazer; bom para resguardar-nos contra as fúrias do que se põe contra nós sem nenhuma clemência; bom porque dá os alívios, dá a graça e a soltura que não há na impiedade; bom porque o que é bom é não mais do que isso, bom.

    Mas simplicidade, as coisas diminutas, os tristes detalhes de uma totalidade feliz, as suaves plumas dos pássaros elegantes, tudo isso, Deus meu, não há em Sua criação.

    E cá estou eu. Só, tão só. Sem ver o alívio, a graça, a soltura e as suaves plumas dos pássaros elegantes nos outros homens. E já nem em mim, que um dia a isso tudo supus ter.

    Por que nos fizestes brutos, Vós, ao mesmo tempo em que nos entregastes a condição do sonho?

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    Fonte: Pedro Moacyr Pérez da Silveira

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