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Clayton Rocha - Trajetória

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    A Volta

    Olhando a noite, sinto-me perto das estrelas e, por isso mesmo, do céu e, daí, de Deus e, mais ainda, dos meus espíritos.

    Publicado 22/03

    Saímos de Lisboa, rumo ao Rio de Janeiro, há poucos instantes. Creio já estarmos voando sobre águas internacionais, ou mares de ninguém. Minha companheira de viagem dorme.

    Procuro algo para distrair-me a fim de suportar as longas horas de vôo que faltam.

    Olhando a noite, sinto-me perto das estrelas e, por isso mesmo, do céu e, daí, de Deus e, mais ainda, dos meus espíritos.

    Em seguida recordo meu avô de quem tenho o nome e que empreendeu a mesma travessia faz cem anos.
    Como que assaltado pela memória, lembro das muitas histórias que ele contava dessa viagem.

    O porquê de sua vinda, o que o fez, aos quatorze anos de idade, deixar os pais, família, pátria, eu nunca soube. Como pensava um menino daquela idade, naqueles tempos?

    Como conseguia coragem um jovenzinho para mudar de continente?

    Tomado por mil indagações, sem poder vê-las respondidas, fantasiei.

    E, quando fantasiamos, tendo os outros como objeto, carregamos as fantasias de cousas nossas.
    Comecei por colocar-me no lugar dele e tentar responder, eu próprio, minhas perguntas.

    Não consegui.

    Pensei, pensei muito e concluí: eu não poderia abandonar tudo, não naquela idade, e jogar-me sozinho no mundo.

    Acredito ter sido esse o primeiro pensamento dele, talvez afastado por alguma força poderosa que o atraía em direção ao futuro; era isso o que a América representava então, e ele veio.

    Sem esperanças de descobrir que misterioso impulso o estimulou na corajosa aventura, passei a imaginar com que ânimo ele atravessara o Atlântico.

    O que pensava?

    O que sentia?

    O que previa?

    Sei mais lá quantos “o quê” lhe povoariam a cabeça. Quis também respondê-los; igualmente não pude. Tornei-me, assim, melancólico e emocionado – derramei uma lágrima, por mim que já guardo tantas saudades e por ele que certamente as guardou por toda a vida, pois jamais fez a viagem de volta.

    Ocorre-me, afinal, uma ideia simples, mas que tem, para os descendentes da adorável gente portuguesa, altíssima significação: eu estou voltando por que um dia ele foi..

    Leia mais sobre: Artigos, José Rodrigues Gomes Neto

    Fonte: José Gomes Neto

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    Comentários (20)

    20º feito em 01/04/2012 22:52:30

    professor, melhor do que ir é voltar. A gente se sente mais leve quando se está em casa. Principalmente se a gente já não tem mais sonhos nesta vida. Angelo Tavares.

    19º feito em 01/04/2012 13:35:15

    Este é José Gomes. Para mim, o Zé Gordo. Jairo

    18º feito em 29/03/2012 01:53:24

    professor José Gomes tá em grande fase. no 13 horas, energia na palavra e uma metralhadora giratória, enquanto aqui no site cada vez escrevendo mais brilhantemente e tocando o coração da gente. Evilásio Leal.

    17º feito em 28/03/2012 10:17:51

    meu professor José: escreva sobre os grandes nomes da nossa faculdade de Direito neste centenário da nossa casa. Plínio Costa de Almeida seu ex-aluno

    16º feito em 27/03/2012 22:52:34

    A Marina disse aquelas cousas todas porque quis, eu não mandei. José Gomes Neto

    15º feito em 27/03/2012 00:09:13

    Pai, as tuas crônicas, lindas, expressam bom gosto, classe, sensibilidade, cultura, caràter, elegância, inteligência, vivência e sabedoria. São verdadeiras obras primas. Marina

    14º feito em 26/03/2012 19:02:29

    professor, meta o pau nesses comunistas de araque. e escreva sobre as contradições de todos eles. Adalberto Gomes, do partido libertador

    13º feito em 26/03/2012 12:27:31

    trate de escrever alguma coisa sobre a dama Fernanda Montenegro. será que ela vai passar pela cidade sem nenhuma cronica em honra dela; Kleber Luis Mathias.

    12º feito em 25/03/2012 20:55:06

    o senhor que escreve com tanta poesia e emoção, trate de recuperar o Lobo da Costa para nós, os mais jovens. Beto Giusti

    11º feito em 25/03/2012 19:13:05

    Portugal dos meus encantos, das minhas saudades, dos meus restaurantes. A volta, a minha volta para o Porto é o que mais quero fazer. Essa crônica despertou Portugal no meu coração. Túlio Bastos.

    10º feito em 25/03/2012 15:16:22

    Ou se volta com honra ou não se volta mais. Joaquim Costa

    feito em 25/03/2012 15:06:15

    Este final do texto é um achado.
    Marasco, o neto de imigrantes

    feito em 25/03/2012 10:20:10

    Volte sempre, de Portugal para o Brasil, e para esta página, com suas crônicas imperdíveis. Rafaela Barum

    feito em 25/03/2012 09:47:36

    afinal, seu Zé, saiu ou não sai o tal livro de crônicas dessa turma do treze horas? Jair Peres.

    feito em 25/03/2012 02:03:04

    Seu Zé Gomes, faça um artigo sobre os tropeiros do R G do Sul.Eles andam tão esquecidos. Vou aguardar. Jorge Bastos.

    feito em 25/03/2012 01:08:55

    professor, o senhor tá botando o coração em cada frase. Escreva um livro, professor. Rubens Galhardi.

    feito em 24/03/2012 20:09:48

    Ó mar salgado, quanto do teu sal, São lágrimas de Portugal! E que esses laços, e que esses vínculos sempre mais, e muito mais se fortaleçam! Um texto assim, assinado com lágrimas no lugar da tinta, faz com que essa idéia se fortaleça. Gustavo.

    feito em 24/03/2012 08:46:36

    José Gomes tá voando mais que os aviões de carreira! As idéias dele estão combinando com a poesia das grandes altitudes. Roberto Santos. Siga. Queremos mais.

    feito em 24/03/2012 01:08:07

    Teu texto cuida de Portugal, emoções, viagens aéreas, intensas lembranças, fortes vínculos entre duas nações, mas sobretudo de um profundo respeito à memória familiar. Envolvente. Como tantos de teus textos. Fiquei lembrando de portuguesas vestidas de preto, e isso devolveu-me ao interior de Pedro Osório, onde esse tipo de luto marcou fortemente a minha meninice! Ah, aquelas senhoras vestidas de preto, dos pés à cabeça, eu sabia bem o que aquilo significava.... Clayton.

    feito em 22/03/2012 11:20:36

    Um belíssimo relato, ô gajo José Gomes Neto. Essa misteriosa coragem desses jovens guris portugueses que se atiravam além Tejo, sem nada nos bolsos, também me inquieta muito... E o que dizer das mães portuguesas que "salgaram o mar com tantas lágrimas? Valeu a pena?" Que coisa, hein?
    LC Vaz

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