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    Opiniões

    A última bagunça

    A esposa reclamava, mas logo esquecia e tudo voltava ao normal como sempre. O "arruma e desarruma" já havia se tornado parte da rotina dos dois.

    Publicado 09/04

      "Mario, que bagunça! Eu mal termino de arrumar e já
    começas a desarrumar tudo de novo. Tu não tens jeito mesmo!"
                     Essa ladainha Letícia repetia há sete anos, desde que
    os filhos do casal saíram de casa e ela dispensou a empregada. Mario,
    sempre distraído e desorganizado, ficava impassível e nada respondia.
    A esposa reclamava, mas logo esquecia e tudo voltava ao normal como
    sempre. O "arruma e desarruma" já havia se tornado parte da rotina dos
    dois. Naquele dia, entretanto, ela resolveu dar um pequeno castigo ao
    marido bagunceiro e saiu-se com esta:
                     - Enquanto a tua "empregada" faz o serviço doméstico,
    quero que faças um serviço também. Vai no banco, retira um dinheiro da
    minha conta e paga umas coisas pra mim.
                     - Mas eu não tenho a tua senha, Como vou fazer a
    retirada? - perguntou Mario.
                     - Anota aí. - respondeu Letícia.
                     Mario tirou um pequeno papel do bolso e anotou a
    senha bancária, dirigindo-se em seguida para o quarto do casal
    resmungando:
                     - Vou trocar de roupa. Parece que está chovendo e
    deve ter esfriado...
                      Instantes depois voltou à sala com uma expressão de
    contrariedade e saiu apressadamente sem se despedir.
                     Cerca de quarenta e cinco minutos depois retornou e,
    tão calado como saiu, correu até o quarto. Letícia, ocupada na
    cozinha, só se deu conta da presença do marido novamente pelos ruídos
    dele remexendo o roupeiro.
                     - Amor, estás procurando alguma coisa? - perguntou intrigada.
                     - Não pude retirar o dinheiro. Não sei onde deixei o
    papel com a senha. Que droga! Que m...! - gritou Mario.
                     Letícia foi até o quarto e deparou-se com o marido
    sentado na beira da cama com as mãos encobrindo o rosto, desconsolado.
    Tudo estava revirado a sua volta.
                     - Não acredito, Mario! Desarrumaste tudo mais uma vez
    só por causa de um papelzinho? Eu te dou a senha de novo. Não
    precisavas ter feito isso! - esbravejou Letícia.
                     Sem tirar as mãos do rosto, Mario falou com dificuldade:
                     - Perdi... Não está aqui... Devo ter perdido na rua.
    Cinco mil reais...
                     - Quê??? - exclamou Letícia estarrecida.
                     - Aquele papel... não era um papelzinho qualquer. Era
    o comprovante da aposta do jogo do bicho que fiz ontem... O milhar que
    apostei deu na cabeça! Perdi de ganhar cinco mil reais!!!
                     A partir daquele dia Letícia nunca mais reclamou da
    bagunça. Mario não perdeu o vício do jogo, mas tranformou-se num homem
    exremamente atencioso e organizado. Um marido exemplar.

    Leia mais sobre: Opiniões, Pedro Luis Marasco da Cunha

    Fonte: Pedro Marasco - arquiteto e escritor. marascodacunha@gmail.com

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    Comentários (1)

    feito em 11/04/2013 01:12:33

    Sua crônica me fez lembrar uma funcionária q tinha em minha casa. Daquelas de dar inveja, mantendo tudo um brilho só, exceto no meu cantinho, isso nãooo...!!! Eu adoro bagunça organizada no meu espaço de estudos, daquelas em q você coloca a mão e sabe onde encontrar um alfinete na escrivaninha (lugar sagrado e intocável) e certa vez, cheguei apressada para pegar uma anotação e me deparo com minha bancada completamente limpa, arrumada e organizada. Quase morri ao mesmo tempo em que olhei para ela e fiquei com dó pela sua felicidade ao dizer "hj tive um tempinho extra e organizei todos os seus livros e pastas"...rsrrss (eu quis morrerrr). Nem preciso dizer q nunca mais vi a tal anotação q buscara no momento, não é mesmo??? Afinal, de minha “baguncinha” particular, entendo eu....
    Grande abraço, Pedro!
    Miriam

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