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    A primeira Coca-Cola

    Pois bem, em um domingo, para fora, na casa de meu avô, meu pai chegara de Porto Alegre na véspera com um carregamento das garrafas mágicas, tivemos o primeiro encontro com o “objeto do desejo” daquela época.

    Publicado 19/03

    Quando já se caminhou muito por este mundo, que até hoje não sei se é de Deus, incontáveis imagens desfilaram diante de nossos olhos.

    Algumas, até naquela velocidade com que passam as árvores, quando estamos embarcados em um ônibus que corre apressado pelas avenidas da cidade. Essas, quase nunca registramos com clareza, pois, às vezes, emendam-se, umas nas outras e ficamos com uma impressão falsa da realidade.

    Há, no entanto, as que chamam nossa atenção e, mesmo sem as valorizarmos, chegamos a ver-lhes os contornos e a feição, enfim, conseguimos decifrá-las e entender o verdadeiro significado que têm. Porém, ao longo da vida, tantas vezes, sem mesmo sabermos o motivo, umas imagens são inesquecíveis.

    Comigo vem acontecendo assim e creio que esse é um sentimento geral. Quantas cousas ficaram gravadas em mim!

    Tenho, na memória, quantidade delas. No momento em que resolvo falar sobre isso, elas me atropelam, como se quisessem vir à tona. Mas, apesar disso, sou eu quem controla a situação e, assim, falo sobre o que quero. Hoje, veio-me à lembrança a primeira coca-cola que tomei.

    Foi na década de 40, quando ainda não era comercializada em Pelotas, mas nós, especialmente as crianças, vivíamos ávidos por experimentá-la, já que a propaganda chegara antes.

    Pois bem, em um domingo, para fora, na casa de meu avô, meu pai chegara de Porto Alegre na véspera com um carregamento das garrafas mágicas, tivemos o primeiro encontro com o “objeto do desejo” daquela época. Vivíssima está em mim a impressão que tivemos: a garrafinha, menor  do que as que se vêm hoje  e que a propaganda dizia ser a “medida exata de sua sede”, encantou-nos a todos.

    Já disse muitas vezes e outras tantas direi ainda: trago registrado, daqueles tempos, algo por demais marcante, estávamos no final da guerra e tudo o que acontecia, de bom, vinha envolvido por uma aura de felicidade e de euforia e de esperança.

    Começava a ficar para trás um período feio, assustador, que ameaçava a humanidade. Imagino que a tanto minha percepção não alcançava, mas eu, no meu íntimo infantil, sentia pavor.

    Como não sentiria?

    Imaginem que andando de mão com minha irmã Belinha, mais velha do que eu, assisti, na esquina da Osório com Sete de Setembro, de um hotel que havia ali, de propriedade de descendentes de alemães, uma multidão jogar pela janela banheiras, camas, armários, etc.

    Isso aconteceu lá pelo ano de 1942 e a primeira coca-cola que bebi, se não me trai a memória, foi no final de 1944, quando meu avô, um anti-nazista inflexível, no mapa do mundo que tinha sobre sua escrivaninha, contabilizava o recuo das tropas hitleristas.
    Instalou-se, em nossa família, um clima de intenso entusiasmo pela perspectiva do fim da guerra.

    Mais tarde compreendi que meus pais, tios, avós, enfim, as pessoas mais velhas que me rodeavam, anteviam, então, a vitória definitiva da liberdade sobre a tirania.
     

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    Fonte: José Rodrigues Gomes Neto

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    Comentários (7)

    feito em 30/03/2012 12:35:47

    Eu tou sempre pensando quando é que eu vou beber a próxima Coca-Cola, por vício, prazer daquele sabor borbulhante. Paulo Guilherme Valente.

    feito em 25/03/2012 10:24:00

    Não há, em Pelotas, tenho certeza, alguém que curta mais a sua Coca-Cola do que o Carlos Francisco Diniz. Rico artigo, José.

    feito em 24/03/2012 01:32:48


    No armazém do Cerrito, onde cheguei de bicicleta, para beber minha primeira Coca-Cola. Ela foi saboreada sem pressa, para não ser esquecida nunca mais! O guri, depois, foi ao barbeiro, todo faceiro. Ali cortou o cabelo, iria ao cinema à noite, e queria estar à altura desse grande momento: ir ao cinema! Vivia nas nuvens, pura felicidade da meninice, a vida era uma festa completa! Ah, Cerrito, anos 60, como era saborosa aquela primeira Coca-Cola da minha vida! Parabéns,José!!!

    feito em 21/03/2012 16:33:06

    Muito bom esse texto do dr.Jose Gomes sobre a Coca-Cola.Mas ele também deve estar lembrado que tivemos a Guaraná-Guaracy -em que a fábrica era na Andrade Neves esquina Padre Felicio- bem como as groselhas da fábrica Mario Saco, lá na Mal.Deodoro entre Pe.Felicio e Antonio dos Anjos.Eram todas daqui de Pelotas, e representaram o sabor de nossa juventude...E quem pode ter esquecido do Zippo-Mix(sabor uva)e do Crush(laranja)com suas garrafas originais?Mas em se tratando de minha primeira experiencia com algo inusitado em matéria de sabor, nada se iguala a sorver pela primeira vez um picolé da Kibon(metade chocolate com creme)que me aconteceu aos seis anos(1949)quando estava visitando pela primeira vez a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro.Depois de mais de 10 anos é que vieram a distribuir este sorvete em Pelotas,o que fiquei esperando ansiosamente...
    Vignolo

    feito em 21/03/2012 11:21:37

    A primeira coca-cola foi, me lembro bem agora, nas asas da Panair. (Fernando Brandt)
    LC Vaz

    feito em 20/03/2012 21:23:26

    Bah! Tive minha lembrança o SUCO 17 da Telma ali na D.Pedro esq. Alberto Rosa...O gelo vinha no trem das oito e no Capão Seco a gente bebia o SUCO 17 gelado...Abç.
    Zé Souza.

    feito em 20/03/2012 14:51:59

    Gostei muito de tuas lembranças, Prof. José!
    Contarei, em breve, uma história familiar acerca da coca-cola, esta criação de John Pemberton (li o livro - interessantíssimo - "Pela Pátria, Pela Família e Pela Coca-cola").
    Marasco, o saudoso da pequena garrafinha de coca (ou dos tempos dela?).

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