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    A Comunicabilidade da Incomunicabilidade

    As pessoas se comunicam à distância, estabelecendo elos de amizade e muitas vezes de amor, criam mundos gnomicos, fantasmáticos em diálogos aparentes. As individualidades se ausentam, são individualidades que mal escondem, por vezes, a solidão.

    Publicado 08/04

    Há décadas Alvin Toffler (1928-  ) impactou os leitores com a revelação da terceira  grande revolução da humanidade, a terceira onda, antecedida pela revolução agrícola e a revolução industrial: a era cibernética. Estamos vivendo os momentos mais intrigantes dessa terceira onda, no que se refere às comunicações, âmbito pessoal. A técnica oferece ao consumo de massa os micro computadores, tablet´s, celulares altamente sofisticados e miríades de interlocuções informativas, salientando-se, entre nós, o FaceBook ,twiter´s, Whatsapp´s e tantas outras invenções, que não saberia nominar. As pessoas se comunicam à distância, estabelecendo elos de amizade e muitas vezes de amor, criam mundos gnomicos, fantasmáticos em diálogos aparentes. As individualidades se ausentam, são individualidades que mal escondem, por vezes, a solidão.

    As palavras escasseiam substituídas por expressões estranhas e bizarras. Emoções, como o riso, expressas esdruxulamente, em  kkkkk´s ou hahahahaha´s; as lágrimas ou inconformidades se apresentam em figurinhas; os textos são curtos na medida de leituras brevíssimas, como se não houvesse tempo para ler, meditar ou preguiça. 

    E sem as palavras estamos, como ensinou Mário Benedetti,  perdidos na selva das coisas.

    É preocupante assistir a adesão, principalmente, de crianças e jovens a essas modernas formas de aparente comunicação. Mais se acentua a preocupação com referência aos adultos.

    Tudo leva a crer que ansiedades e vazios os levam a que se apeguem obsessivamente   a facebooks e tantos  outros, em franca demonstração de abandonos  e na tentativa vã de superar essas ansiedades e vazios existenciais. Restam incomunicáveis, comunicando-se.

    O Olhar, o tato, o aroma, os silêncios,o riso,a lágrima, o timbre da voz,elementos tão expressivos da humanidade do outro se diluem no ar cibernético. Por vezes, o outro(a) vem emoldurado(a) por uma foto,que pouco diz dele(a), quando muito revela se é jovem ou velho(a), se feio(a) ou bonito(a). Os comunicativos incomunicáveis seduzem-se com a própria sedução imaginativa narcisística. Quando o imaginário flutua de um para outro ou para vários interlocutores, basta um toque digital para cambiá-los ou deletá-los do horizonte dos faces, tablet´s ,whatsapp´s etc... como se jamais existiram, indiferente ao fato de que  algum elo de ternura ou amizade possa ter nascido.

    O sentido primordial da vida humana é a convivência. Sem o outro fenecemos. Nutrimo-nos de amor e calor humano. Os distanciamentos provocados pela era da moderna comunicação, entre as pessoas  e suas incríveis criações, em lugar de  aproximar encena um pobre e falso espetáculo de calor humano. Calor Humano, a frio, fantasiado, imaginado.

    As redes sociais constituem a grande novidade do momento, impressionam.

    Formam-se pelo ar, congregam pessoas, espalham notícias, incentivam-nas a comparecer em protestos, aparentemente criam elos de forte comunicabilidade participativa. Contudo, assemelham-se a enormes balões de ensaio, subindo aos céus imponentes, desfazendo-se na atmosfera rala. Do outro participativo, ao nosso lado, nas manifestações nada resta, sequer um nome, sequer a lembrança. Cessado o frêmito, cada um volta a si, recolhidos às invenções da cibernética.

    Difícil prever o futuro dessa brilhante era das comunicações. Não obstante a decantada  globalização, o que se observa entre as pessoas e as nações, as barbáries correntes, os descaminhos e desentendimentos, leva a concluir que o mundo padece de grave  e crescente incomunicabilidade.

    Leia mais sobre: Artigos, Francisco de Paula Bermudez Guedes

    Fonte: Francisco de Paula Bermúdez Guedes

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